terça-feira, 25 de outubro de 2016

A LIÇAO DO BEM-TE-VI sobre a culpa e a falsa culpa

Acordei com o canto do Bem-te-vi e lembrei da minha mãe!

Certa vez, quando eu era criança, minha mãe me contou essa estória:
"Um menino fez alguma coisa errada (não me lembro o que) e em seguida ouviu o canto do Bem-te-vi: - Bem te vi.... Bem te vi... preocupado o menino respondeu: - não viu nada não! O pássaro continuou o seu canto: Bem te vi... Bem te vi... Com medo de ser denunciado e do castigo que poderia vir, o menino responde: Eu já vou contar pra minha mãe, viu?


Esse é o  tema da estoria que minha mãe me contava:  erro, culpa e  perdão! 

O menino deve ter feito alguma dessas molecagens própria de criança. Mas sentiu culpa! Porque o sentimento de culpa? Porque alguem já havia condenado aquele tipo de ação. Mas, ao pensar que seria denunciado, ele se rende e fala: "já vou contar pra minha mãe"! Ali estava a solução para resolver o problema:  contar para a mãe! Poderia até ser castigado, mas se livraria do sentimento de culpa.

A fala, principalmente das dificuldades, dos erros, que nem sempre são erros, mas que são percebidos dessa forma,  alivia a ansiedade. São Tiago já dizia: "confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados" Sábias palavras! O sentimento de culpa  faz adoecer e a fala cura! Esse é princípio de toda a base da psicoterapia!

Mas há de se distinguir a culpa, da falsa culpa. Ou seja, o sentimento de culpa. O indivíduo se faz culpado, quando de fato, comete um ato condenável (e isso é relativo). Pode ser acompanhado do sentimento de culpa, ou não. Há pessoas que transgridem e não sentem culpa. Mas a maioria da população sente culpa, mesmo que não consiga entrar em contato com esse sentimento. 

Por outro lado, existe a falsa culpa, que é o sentimento de culpa, sem que haja  culpa. Por exemplo: o indivíduo que trabalhou a vida toda e usufrui de estabilidade financeira, ao ver o outro que passa necessidade, sente-se culpado por ter o que ele não tem. Esse é um exemplo de uma falsa culpa. Ele pode ter compaixão pelo outro, mas não precisa se sentir culpado pelos bens que conquistou.  Outro exemplo: Estamos tentando ajudar uma pessoa que não quer se ajudar! Essa é uma opção pessoal. Há pessoas que escolhem o caminho do sofrimento e por mais que se tente faze-la feliz, ela não quer. Isso pode trazer frustração, mas não sentimento de culpa, pois o que está tentando ajudar não é responsável pelo outro.

São muitas as situações em que se confunde a culpa verdadeira com a falsa culpa.

Mas para tudo isso existe um caminho de cura,  de restauração! 

Para a culpa verdadeira, conversar sobre o fato e se perdoar, antes mesmo que o outro  conceda o "perdão", que é outro ponto polêmico.

Para a falsa culpa, é preciso analisar e entender a origem desse sentimento. Pode estar ligado a histórias antigas de vida. O processo de análise e a psicoterapia podem ajudar.

Falar sobre as dificuldades, as culpas e os sentimentos de culpa, certamente alivia esse mal estar, a ansiedade, gerando paz interior, promovendo a cura e permitindo o usufruto da felicidade, da paz e do amor!

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