quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Crianças, Pais, Avós e Consumismo!

Certa vez, há muitos anos atrás, eu havia me mudado para um apartamento e comentei com uma amiga que, quando viessem os netos, eu não teria muito espaço para recebe-los. Para o meu consolo, minha amiga disse, pela sua própria experiência, que os netos de hoje adoram mesmo é sair, passear e ir ao shopping.

Hoje, avó do Martin e da Luana, posso constatar essa verdade. Quando estou com eles,  querem é passear, ou no parque, ou no shopping, ou em qualquer lugar. O certo é que essa geração não é nada caseira, quer ver o mundo, quer conhecer, quer explorar!

Qual será a consequência disso na Educação das crianças? Que hábitos estamos nutrindo e incentivando em nossas crianças?

Em primeiro lugar, quero lembrar que atualmente, como já escrevi em outra ocasião, o pai tornou-se hoje muito mais participante da educação e cuidado dos filhos. As avós hoje, apesar de ainda ajudarem muito no cuidado dos netos, já não tem tanta voz ativa, como antigamente, quando  não havia acesso fácil à informação pública e as filhas ouviam e aprendiam com as suas mães. Os pais de hoje em dia, leem se informam, combinam entre o casal o que querem para seus filhos e desejam que esse modelo de educação escolhido, com suas diretrizes, seja  respeitado pelos avós, que naturalmente, podem ter outros pensamentos a respeito.

Já não é fácil duas pessoas entrarem em consenso, imagina se precisarem satisfazer as diretrizes de mais quatro ou mais pessoas (hoje em dia existem os avós afetivos, cônjuges do segundo casamento dos avós)? Cada qual tem seus valores e histórias da sua própria criação e da criação de seus filhos.

Muitas vezes, os avós tentam corrigir, ou trabalhar seus sentimentos de culpa em relação  a educação dos filhos, tentando interferir na educação dos netos. Ou então, por outro lado, acham que seu modelo foi perfeito e que os filhos devem seguir à risca. Esquecem-se de que o mundo hoje está diferente do mundo de 20 ou trinta anos atrás!

Na minha visão, papel dos avós é amar! É estar junto naquilo que precisarem! É respeitar as orientações dos pais. Se não concordar, chamar para conversar, longe da criança, e colocar seu ponto de vista. Mas nunca criticar na presença das crianças e, muito importante,  sempre respeitar o que foi combinado. Coerência na diretriz educacional é fundamental!

Mas o tema principal desse post é: Será que é melhor ficar em casa ou sair com as crianças? Será que a habitualidade de shoppings pode interferir na educação das crianças?

Tento responder: Em minha visão, tudo depende dos valores dos pais, da amorosidade,  da forma como se lida com cada situação.

Outro dia, numa loja do Shopping, presenciamos uma triste cena: uma menina que talvez estivesse querendo alguma coisa, ser tratada com violencia pela mãe.

Ora, você leva a criança no Shopping, mostra a ela um monte de coisas que você não vai comprar, ela pede e você a castiga?  Penso que não é por aí…  Em primeiro lugar, se a criança já tem idade para querer, ela já pode entender o que você fala. Pode explicar os motivos e levá-la dali com carinho, chamando a atenção para outros estímulos.

Outro aspecto é a relação que os pais possuem com o consumismo. Pais consumistas, que compram tudo o que veem, irão, por imitação, gerar nos filhos também o desejo de consumo.

Por outro lado, às idas aos Shoppings podem se tornar uma grande oportunidade de ensinar os pequenos a terem uma boa relação com os apelos consumistas. Mostrar a eles que existem muitas coisas que podem ser compradas, mas que nem sempre elas satisfazem os nossos desejos mais profundos.

Ensinar que existem outras alegrias, como estar juntos e encontrar pessoas queridas!

Como dizia Sócrates, em seus passeios pelo comércio de Atenas: "Quantas coisas há no mundo das quais não preciso!"


3 comentários:

  1. As crianças são diferentes e os avós são diferentes. Meus netos quando me visitam querem brincar comigo. Por que? Porque tenho "muitas idéias" (palavras deles). Minhas brincadeiras são as de antigamente, coisas esquecidas pelo desuso, falta de espaço ou tempo curto. Rodar pião, pular corda, cabaninha, 5 marias, bilboque, fone sem fio, etc. Enfim, tantas brincadeiras! Os shoppings deixo para os pais. Eu vou mesmo é na padaria com as crianças para comprar picolé!

    ResponderExcluir
  2. Interessante esta reflexão, realmente os tempos são diferente do que podíamos ter imaginado de como seriamos avós. Para a boa e saudável convivência devemos respeitar o formato que os pais educam seus filhos, e quando eles desejarem e permitirem emitimos nossas opiniões. O nosso papel é apenas amar, fazer alguns mimos, brincar e eventualmente cuidar dos netos. Também nós temos hoje muito mais atividades do que nossos avós. Mas gostaria de compartilhar uma conversa de minha neta aos 3 anos e meio: Estava ela na casa da avó que vive em apartamento e começou a falar: "vovó a minha tataravó ficou velhinha e doente, e morreu, a bisavó (que ela conheceu) ficou velhinha e doente, e morreu. agora é a vez de você e da vovó Jane" e fez uma pausa e neste momento a avó entrou em desespero imaginando que ela estava dizendo que nós íamos morrer, mas a netinha continuou "então fico pensando como vai ser a casa da vovó Jane sem uma avó, ah! ja sei! vou convidar a tia avó Katia, para ser a nossa vovó e morar naquela casa, porque não posso ficar sem a casa da vovó!" . Assim são meus netos, amam estar na casa da vovó, preferem a qualquer outro passeio, não gostam de shopping, e ir ao parque ou mesmo no zoológico é um passeio de vez em quando. Vale dizer que moram em casa com bastante espaço, área verde, mas o gostoso mesmo é estar na casa da vovó, até dizem essa casa é nossa, temos o nosso quarto, nossos brinquedos, etc. Ser avó é uma benção de Deus!

    ResponderExcluir
  3. Concordo com essas posições.. Eu tenho um neto que mora em outra cidade. Nesse caso eu vou lá, mais do que ele vem aqui… e, apesar de morar em apartamento pequeno, o meu espaço é uma referência para minha neta de um ano e meio. Ela tem tudo aqui que precisa…
    Mas eu quis chamar a atenção para essa tendência de não ficarmos mais tanto em casa como antigamente, principalmente as pessoas da terceira idade. E sair de casa é bom, tanto para as crianças como para os idosos.Sair do seu canto, ver a vida como ela é hoje em dia, ao invés de querer que os outros se adaptem ao seu jeito de ser. Isso traz mais alegria e flexibilidade. Um dia, quando estivermos bem velhinhos e dependentes, isso vai facilitar… uma das queixas que recebo no consultório é de filhos adultos que não sabem o que fazer com seus pais da quarta idade, que se recusam a sair de casa e precisam de assistência. Fica difícil para a família administrar, principalmente se moram em outra cidades e se não existem tantos recursos para contratar tantos cuidadores.
    Na realidade, o que importa não é se ficamos em casa ou se sairmos com os netos. O mais importante é a relação que se estabelece com a criança e com os seus pais.
    Não importa o lugar físico, mas o lugar afetivo!
    Obrigada pelos comentários!

    ResponderExcluir