segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

"Gloria a Deus nas alturas e Paz na terra entre os homens de boa vontade!"


 “Foi envolto em panos, porém foi liberado das vendas do sepulcro ao ressuscitar. Foi colocado em um presépio, porém foi glorificado pelos anjos, assinalado por uma estrela e adorado pelos magos”. São Gregório Nancianceno (330-390)


«A Natividade do Senhor»
Ícone de Theófanes de Creta - 1546
Monastério Stavronikita - Monte Athos - Grécia)

Os ícones das festas do cristianismo  existem desde o início da Era Cristã. Um de seus objetivos é contar em forma de desenhos, os fatos do Evangelho, pois a maioria da população não sabia ler. Diz-se até hoje que os ícones não são pintados, mais escritos. Ao contrário da arte sacra que surgiu posteriormente, os ícones possuem cânones específicos e são "escritos" pelo iconógrafos, e não por qualquer artista. Seguem a Tradição da Igreja e são executados em meditação. 
Uma característica dos ícones são os símbolos apresentados. No ícone da natividade, vemos a Santíssima Virgem Maria em posição de adoração ao Menino Jesus. José está abaixo à esquerda conversando com um velho que simboliza, na interpretação do iconógrafo, a dúvida que poderia existir em sua mente sobre a concepção pelo Espírito Santo. O Evangelho cita a sua dúvida, apenas ao saber da gravidez da virgem, mas aqui no ícone é representada num mesmo quadro. Também são representados outros fatos do contexto, como o primeiro banho, um costume judeu, a visita dos magos e a anunciação aos pastores. Uma característica dos ícones era contar a sequencia dos fatos em uma única figura, num modelo atemporal. Também podemos interpretar que José, neste ícone é um protagonista da dúvida que paira nas mentes de muitas pessoas sobre a dupla natureza de Cristo, ao mesmo tempo homem, pois nasceu naturalmente de uma mulher, mas o próprio Deus encarnado, pela concepção pelo Espírito Santo.