segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mensagem Patriarcal de Natal do Novo Patriarca João X (Yazigi), Patriarca da Igreja Ortodoxa de Antioquia e todo o Oriente.



A meus filhos em todos os extremos desta Sé Apostólica.

Estas festas salvíficas chegam a nós em meio a acontecimentos pelos quais nossa Igreja Antioquina deve passar. Em primeiro lugar a perda de nosso Pai e Patriarca Ignatios IV, que foi nosso Pastor com esmero e fidelidade por várias décadas. Sua memória permanecerá em nossas mentes e corações constantemente e será eterna junto a Deus, a quem ele serviu por toda a sua vida. Nossa igreja também sofre com as condições trágicas que nosso povo experimenta como consequencia da violência e desordem que imperam na região.

Quis a graça do Espírito Santo que meus irmãos do Santo Sínodo me elegessem o sucessor neste Pontificado Maior, ainda que eu não me sinta digno do mesmo, porém minha fé em Deus e confiança em vocês, irmãos e filhos de minha Igreja, me fortalecem e me fazem ver com esperança o auxílio divino que me permitirá superar as adversidades e avançar para um futuro melhor.

Em meio a estes acontecimentos vocês deixaram em meu coração a certeza de haver vivido este período como o povo do Deus Vivo, o que vocês demonstraram com três atitudes: com seu sentimento, expressar suas condolências por meu antecessor; com a oração, jejum e a esperança durante o período anterior à eleição; e, finalmente, com a alegria, o júbilo e a paz que se manifestaram após a eleição. Tudo isso me faz estar agradecido e orgulhoso de vocês, e a manter a fervente esperança no Corpo Indiviso de nossa Igreja.

E é assim que o Menino vem a nós na gruta, para morrer por nós e nos lembrar de que Ele está conosco, que nos fala e confia em nós para transmitir a mensagem de paz e amor que Ele divulgou a cada um de nós e a todo o mundo. Ele vem a nós humildemente, chamando à porta de nossos corações com cuidado, como se quisesse nascer neles.

O Natal não é somente a comemoração do nascimento de Jesus em uma gruta, da Virgem Mãe de Deus, mas também deve ser a festa de seu nascimento em nós, o que acontecerá se nos esforçarmos por chegar à pureza da Virgem Maria. O nascimento de Jesus em nós deve nos fazer renovar nosso compromisso com seus ensinamentos e nosso esforço por ser sua Igreja sem mancha e sem fraqueza, mas pura e resplandecente com seu Santo Espírito. Assim, estaremos conscientes de que a Igreja de Cristo é nossa Mãe e que os Pastores e os fiéis são chamados a ser seus apóstolos, convidando seus irmãos no mundo à reconciliação e à não-violência, para que prevaleça a paz.

O mundo não se convencerá se não sentir o amor abundante dos discípulos de Jesus e seu serviço a ele.

A Igreja é nossa mãe. Cada um de vocês é importante e seu lugar nela é único. Vocês têm o direito de pedir a seus Pastores uma boa pastoral; e o Pastor, em todos os níveis de seu Ministério, deve sair ao encontro dos fiéis, ouvir seus problemas e se esforçar por ajudá-los e por responder a seus questionamentos existenciais.

Vocês que obedecem à Palavra de Deus e se esforçam insistentemente por identificar-se com Ela, também têm o direito de opinar e propor soluções para os assuntos da Igreja, uma vez que todos os filhos, junto ao Senhor da família, velam pelo futuro desta mesma Família.

Este Natal chega a nós quando muitos dos filhos de nossa Igreja estão dispersos, longe de seus lares e sofrendo muito. Temos o dever fraterno de acolhê-los e acompanhá-los, não somente com dinheiro e a assistência material necessária, mas também servindo-os com carinho e caridade.

Este Natal chega a nós quando nosso povo enfrenta muitas mudanças e desafios em um mundo que se vale cada vez menos dos valores tradicionais, fazendo uso da violência, do desejo de consumo e da posse de uma nova lei de vida. Os gastos excessivos que acompanham essa festa, a festa do Pobre de Belém, devem ser uma advertência que nos conscientizem de que temos submetido nossas vidas a valores semelhantes; e assim como nos acostumamos a oferecer mutuamente presentes como os Reis Magos fizeram com o Senhor Jesus, expressemos também nosso amor pelo Filho de Deus que vem a nós, da maneira como Ele nos convidou: dando de comer ao faminto, visitando o enfermo, hospedando o desamparado e oferecendo-lhe tudo que esteja a nosso alcance.

Este Natal chega a nós quando muitos em nossos países se questionam quanto a seu futuro. Irmãos, o Menino do Presépio dos diz: “Não temam, porque eu estou com vocês; não temam, porque vocês são irmãos, chamados à colaboração e à assistência mútua; não temam, porque vocês são o povo destas terras nas quais Deus quis que vocês nascessem, desde a Antiguidade. Não temam, porque aqui vocês têm muitos irmãos que vivem segundo o amor e o bom convívio. Não temam nem desanimem, mas recebam a todos com apreço, alegria e plena confiança em seu Deus, que é o Deus do Amor e que é, Ele próprio, o Amor. Sejam instrumentos da reconciliação e do diálogo sincero.

Celebramos este Natal com todos os nossos irmãos cristãos.

Rezamos por eles, para que Deus nos permita aprofundar o diálogo com todos eles e para que cheguemos à união que Deus deseja e sem a qual o mundo não crerá que Jesus foi enviado pelo Pai.

Celebremos também com nossos irmãos muçulmanos, os quais reverenciam a Cristo Senhor e professam seu nascimento virginal da Virgem Maria, assim como Deus dispôs. Portanto, os fazemos partícipes de nossa festa se soubermos dialogar com eles no diálogo da vida, da convivência e do acordo sobre os conceitos que nos unem em nossa religião e nosso mundo.

Irmãos, prostremo-nos ante O Menino do Presépio que quis habitar entre nós.

Não me resta mais que dirigir-me a nossos filhos que fixam seus olhos em nós em todo o mundo, a nossos filhos no Golfo Árabe, na Europa, na Austrália e nas Américas. Vocês estão em meu coração desde que os conheci em minhas viagens e os encontrei em meu trabalho pastoral. Vocês são realmente a verdadeira expressão da apostolicidade de Antioquia hoje nos países nos quais vivem. Seu amor por Antioquia e seu modo de viver a fé me comprometem hoje mais que antes a nos unirmos no serviço da Igreja e a oferecermos um testemunho vivo de nossa unidade e amor. Assim, seremos testemunhas do Senhor no mundo, e nossa Igreja Antioquina será fiel à sua história, a qual resplandece com a luz de seus mártires e Santos.

Não há outro caminho para nós, senão a santidade, que torna tudo possível.

Envio-lhes minha bênção apostólica, afirmando que levo cada um de vocês em meu coração, e peço a Deus que me faça seu servo fiel em favor de vocês e que trabalhemos juntos para a glória de Deus no homem que Ele amou e na Igreja que leva seu Nome neste mundo.




Da Sede Patriarcal em Damasco, em 20 de dezembro de 2012.