terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"O ARTISTA" - Sem palavras!

E o filme francês “O ARTISTA" foi o grande vencedor do Oscar 2012!

Eu estava torcendo por ele! Assisti primeiro e amei "A invenção de Hugo Cabret". Um filme lindo, leve e profundo!  Mas, ao assistir "O Artista", me apaixonei pelo filme!

Ambos tratam, em primeiro plano, do mesmo tema: a história do cinema, mas o fazem,  de formas completamente diferente. Enquanto "A Invenção de Hugo Cabret" o faz com a última tecnologia de exibição, em 3D, o "O Artista", mostra que, com os recursos da época do início do cinema, mudo e em preto e branco, continua sendo possível prender a atenção, fazer rir e chorar, fazer refletir e... Até mesmo ser o grande vencedor do Oscar de uma época marcada pelo avanço tecnológico! Curioso notar que ambos trazem em seus próprios nomes a marca dessa diferença: invenção e arte!

Num plano mais reflexivo e profundo, ambos trazem, entre tantos outros, também um mesmo tema: a cura da ferida da alma. "A Invenção de Hugo Cabret", é menos sutil "o menino gostava de consertar coisas e pessoas".

Mas o grande vencedor vai muito mais longe, na riqueza de temas sobre os conflitos gerados nas famílias, nos relacionamentos humanos e na alma, nestes tempos de avanços tão rápidos na tecnologia voltada à comunicação e ao lazer. Se naquela época o cinema era um avanço, hoje temos, à mão, internet nos celulares, acessando redes sociais, o que potencializa as variáveis virtuais da comunicação humana.

Em minha visão, o principal tema paralelo do filme “O Artista" é a comunicação humana. É sobre o falar e o não falar. 

Há outras formas de falar, sem palavras, mas é necessário parar de vez em quando para conversar. 

É necessário acompanhar as mudanças do mundo, sem perder o que importante e essencial. 

As redes sociais nos possibilitam encontros e reencontros, mas não devem ser utilizadas para substituir o tradicional encontro presencial, onde se pode abraçar, sentar, conversar olho no olho, “jogar conversa fora”. 

É preciso saber dosar o uso de redes sociais, saber a hora de desligar a TV, o celular e o computador, para sentar e conversar, como nos tempos de antigamente, em que quase nada disso existia.

O grande tema do filme, para mim, é o retorno aos valores eternos e essenciais. A tecnologia e a globalização  podem nos afastar da nossa família, da nossa essência, da nossa alma!  Mas, bem utilizada, ela pode nos ajudar  a estar mais perto das pessoas que amamos.

Com a democratização do acesso ao conhecimento, temos a democratização das oportunidades de ascensão econômica e social e o acesso aos bens de consumo.  Mas nada disso preenche a necessidade básica do ser humano de ser amado e reconhecido, de sentir-se incluído no grupo das pessoas com quem se identifica. A tecnologia é a apenas um meio, não um fim em si mesma e a forma como a utilizamos é que vai fazer a diferença em nossas vidas.

É disso que, para mim, o filme fala. Dos reflexos do avanço tecnológico nas pessoas! Essa controversa “loucura” que estamos vivendo, que parece novidade, mas é coisa que sempre existiu!

Merecido prêmio! O filme "O Artista" do diretor  Michel Hazanavicius  é uma obra de arte! Coisa mesmo de artista!