domingo, 11 de abril de 2010

A VIRADA DA VIDA




A VIRADA DA VIDA

Tita, 50 anos

Menina de sete anos: feliz, bonita, faceira...

É apenas este, o trecho de que me lembro de uma das poesias que Dona Maria Aldina me fazia recitar no Ginásio, que naquele tempo era Moderno. Era uma poesia em homenagem ao sétimo aniversário de Brasília.

Era o ano de 1967. Foi o ano em que aqui chegou, também aos sete anos, uma menina feliz, bonita e faceira...

Ela chegou saltitante, sempre muito viva, alegre e curiosa... inteligente, como sempre foi! De curtos cabelos lisos. Os olhos, duas bolitas bem vivas, naquele rostinho rechonchudo.

Caçula de quatro filhos. A mãe, pedagoga, o pai, deputado, do Rio Grande do Sul.

Tita, como lhe chamam os seus, cresceu em Brasília e com Brasília, correndo e brincando nos jardins da 114 sul.

Era amiga da Marcinha, minha irmã, com quem brincava e brigava... e lá ia eu apaziguar as duas, até hoje sempre amigas.

Tita cresceu e se fez mulher! Independente, escolheu ser professora, escolheu se casar, escolheu ser mãe da Cacá!

Brasília, cresceu... e como cresceu! Se tornou politicamente independente, escolheu deputados e governadores.

Brasília, mulher independente, resolveu chegar aos 50 anos sem engolir desaforos: botou pra correr aquela gente que chegou achando que podia fazer o que quisesse.

Ana Cecília, a Tita, resolveu chegar aos 50 de alma lavada: reformou sua vida, sua casa! Reformou a família e suas relações. Ana Cecília deu a grande virada de sua vida!

Ana Cecília optou pela vida, pela felicidade e prazer de viver sem sofrimentos desnecessários.

Tem sido assim na vida de muitas mulheres na faixa dos 40 a 50 anos: resolvem dar uma grande virada em sua vida!

São mulheres conscientes de seu papel na sociedade e na família. São mulheres responsáveis, que deixam de culpar ao outro pelas suas incertezas, e passam a ter a certeza de poder controlar a sua própria vida.

São mulheres que deixaram a primitiva Eva e a sedutora Helena para trás. São mulheres que assumem a Sofia, com inteligência e sabedoria!

São mães, filhas, irmãs... podem ser namoradas e esposas... mas passam a fazer tudo de um jeito diferente. É a mágica dos 50, a metanoia, a virada do Cabo da Boa Esperança, a virada da vida!

Minha homenagem à Cecília, à Susana, e a todas as mulheres que neste ano fazem 50.

São as que nasceram em 60, as que inauguraram aquela década. A década da grande virada na vida das mulheres a partir daquela geração!

Sejam bem-vindas as marcas do tempo e do vento. As marcas das tempestades e trovoadas da vida da gente!

Sejam bem-vindos os óculos de grau. Seja bem-vindo o “não estar nem aí” para o que o outro pensa ou deixa de pensar!

Porque o mais importante é saber o que se quer!

É ter objetivos na vida, é saber a que veio neste mundo.

É ser consciente e cumprir a nossa missão!

Perante o Criador e toda a sua Criação!



Dulcinéa Cassis
10.04.2010