terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Já é Natal outra vez...

“Já é véspera de Natal!”, ela diz aflita! E vai se lembrando de tudo o que “tem que” fazer até lá! De tudo o que “tem que” comprar! As roupas de festas, os presentes, enfeitar a casa, pensar no tender e no peru! É preciso se preparar para as festinhas de fim de ano, comprar presentes para “os amigos ocultos”, marcar hora no salão...

Ufa!... Só de pensar dá canseira....

O Natal, que era para ser uma festa simples, religiosa, de paz e tranquilidade, passou a ser cansaço, obrigação, confusões familiares.

O ciúme vem à tona! A inveja e a competição tiram a paz e diminuem a auto-estima de qualquer um. Ganhar um presente pior do que aquele que se deu, é pensar no prejuízo, prometendo que essa será a última vez que participa do amigo oculto da empresa. Pior é que, se não participa, vai ser tachado de anti-social e não participativo... um selo de incompetência no ambiente de trabalho!

E os falsos “amigos” ocultos? - “Puxa... eu tinha que tirar logo aquele chefe cri-cri?” Compra o presente com medo de não agradar e faz cara de feliz na hora de entregar....

Tudo isso é Natal! O Natal do comércio, o Natal do fingir que se é amigo e feliz! Do fingir que está tudo bem! E, “porque a data é mágica, todos somos felizes e vivemos em paz...”

Mas... o que está por baixo do tapete?

Por baixo do tapete, escondido na sombra, tem inveja, tem ciúme, tem vontade de aparecer, tem medo de não ser amado!

Por isso “precisa” vestir as roupas mais bonitas, “precisa” enfeitar a casa, “precisa” dar presentes caros para mostrar que é “bonzinho”...

O resultado é a conta que vem no cartão de crédito...

Sim, porque um dia até inventaram o tal de 13° para cobrir todas as despesas do Natal! Mas hoje, o tal salário adicional, já é antecipado até mesmo para o início do ano, para cobrir as dívidas contraídas por causa do Natal do ano anterior...

Qual a raiz disso tudo?

O mal começa pela vaidade... Bem ao contrário da lição que o Mestre nos ensinou.

Ele nasceu humilde, num estábulo... em berço de palha...

Ele viveu de forma humilde e disse um dia: “se você está cansado, aprenda comigo: eu sou manso e sou humilde”.

A vaidade, ou seja, a falta de humildade, é que nos leva ao cansaço: queremos aparentar aquilo que não somos! Para isso, precisamos mostrar mais do que somos. Sentimos necessidade de presentear além de nossas possibilidades. Queremos gastar aquilo que não temos... precisamos trabalhar mais do que conseguimos, para ganhar mais dinheiro do que de fato necessitamos...

Daí é que vem o cansaço excessivo e a necessidade de, muitas vezes, trabalhar naquilo de que não gostamos...

Afastamo-nos assim de nossa vocação, do propósito de nossa alma... do nosso Si mesmo... do nosso Ser!

O Natal vem para nos lembrar de que não precisamos de nada disso...

O Natal lembra o Presente do Criador para toda a humanidade: não precisamos ser mais do que somos, pois Ele nos ama tal como somos!

Todos temos falhas e imperfeições. O eterno conflito entre o querer fazer o bem e o não conseguir, nos faz conscientes da necessidade de algo além daquilo que conseguimos conquistar sozinhos.

Mas pela Graça de Deus nos tornamos merecedores de participar de seu Reino. Pelo sacrifício de seu Filho, o Cordeiro de Deus!

Aquele mesmo, o menino que um dia nasceu em Belém!




Que Neste Natal, a paz que Ele nos oferece possa invadir o seu coração!

Dulcinéa Cassis
Natal de 2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

O BRASIL QUE NÃO SAI NO JORNAL NACIONAL


O convite para trabalhar na 8ª Conferência Nacional da Criança e do Adolescente chegou em cima da hora.

Estreante nesse tipo de evento, comecei a tatear para entender como era e o que acontecia por lá.


Confesso, envergonhada, que nunca havia prestado atenção nesse tipo de Conferência, que vem acontecendo a cada dois anos. Essa já é a oitava.


Fiquei surpresa quando vi a plateia repleta de delegados adolescentes.


Pareciam adolescentes normais como esses que são intitulados de "aborrecentes" pelos pais desconfortáveis com os questionamentos e comportamentos que nós, os adultos de hoje, nem ousávamos pensar.


Os jovens nascidos na década de 30, 40, chegaram aos anos 60 fazendo e propondo grandes revoluções. Foi a época hippie, dos cabelos compridos para os homens, da queima dos sutiãs para as mulheres. O advento da pílula anticoncepcional trouxe liberdade para a mulher escolher e/ou planejar a maternidade, sem abrir mão da sexualidade. Com isso, pôde ingressar com peso no mercado de trabalho. Outro grupo, o dos politizados lotavam as assembléias e movimentos estudantis.


Com a ditadura militar, a partir de 64, aqueles jovens foram perseguidos. É com dor que lembramos, lamentamos e choramos os nossos mortos e os mutilados psicologicamente pela ditadura militar.


Mas a geração dos que na década de 60 e 70 eram crianças, eu chamo de geração do medo. Aprendemos desde cedo, e eu me incluo nesse grupo, que as paredes tinham ouvidos e que lutar era suicídio. Não foi uma geração covarde. Foi uma geração amordaçada, proibida de falar de contestar, de entender o que se passava. O estudo da filosofia foi banido dos currículos escolares, substituído por lições repressoras, intituladas de «moral e cívica», ministradas, em sua maioria, por militares.



Sabíamos que haviam olheiros, os informantes do SNI. Lobos vestidos de cordeiros que se misturavam nas faculdades, nas igrejas e quaisquer grupos onde se pudessem conscientizar os jovens. Foi a grande sombra do desenvolvimento de nosso país. Uma geração que cresceu sob o medo, sob o pavor de que lhes acontecessem o que acontecia com os jovens da década de 60, 70.

Como resultado disso, em minha opinião, essa geração passou a ter valores mais individualistas, consumistas. Omissa nas escolhas e participações políticas, permitiu, através de seu voto, muitas vezes inconsciente, a vergonhosa corrupção que hoje vêm à tona.


Mas ainda há esperança! Está chegando a nova geração: filhos dos novos tempos, nascidos após a promulgação da nova Constituição. Esses, que não viveram o medo, vieram para mudar. São eles que nesta semana eu ouvi falar nas plenárias da Conferencia Nacional da Criança e do Adolescente.



Esses não se intimidam e posicionam-se de forma adulta. Mais adulta do que muito adulto!


Falam dos seus direitos e dos direitos de todos os excluídos. E falam com propriedade, com fundamentação. Os adolescentes de hoje, não mais esperneiam nem gritam. Eles falam! E sua fala é espada afiada para enfrentar o ranço autoritário que violenta a criança e o adolescente, não só fisicamente, mas, também psicologicamente, deixando marcas, muitas vezes imperceptíveis no corpo, mas castradoras na alma. Esses adolescentes de hoje, são eles que se preocupam com os adolescentes excluídos economicamente. São eles que denunciam que na área rural não tem escolas e por isso os pais levam os filhos de 5 anos para trabalhar em seu roçado. São eles que denunciam e se defendem.


Saí de lá encantada. Com um sentimento confortante que me faz acreditar que, apesar de tanta notícia ruim, ainda há esperança... não amanhã, quando essa geração se tornar adulta. Mas HOJE! Porque a mudança já está acontecendo. Hoje ela é realidade!



Assistir a tudo isso, às falas, à alegria, aos posicionamentos, me trouxe uma grande alegria!



Um antídoto contra o desânimo que surge ao assistir as notícias na TV.


Esse é um Brasil verdadeiro! Que não sai nas manchetes de jornais...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

PULSEIRA DO SEXO

Quem me enviou a notícia foi uma amiga, psicóloga e terapeuta de adolescentes. Trata-se de um alerta sobre a nova moda entre adolescentes e até crianças.

Diz a notícia que a moda começou na Inglaterra e já chegou por aqui. Trata-se da "pulseira do sexo". São pulseiras de silicone, que se pode comprar até em camelôs. Tem de várias cores. De acordo com a cor usada, significa o que se está disposto a fazer. Vai da amarela que é um abraço, até a dourada que é tudo o que se pode fazer em termos de sexo.

Fiquei lembrando do meu tempo de criança e da brincadeira “pera, uva ou maçã”. Quem é daquele tempo sabe do que eu estou falando. Uma criança ficava de olhos fechados e a outra ia apontando para as outras crianças  perguntando se era aquele(a) o(a) escolhido(a). Depois perguntava o que estava disposto a fazer. Pera era abraço, maça, beijo no rosto e uva beijo na boca, o que, na época, era apenas uma bitoquinha. Para nós, crianças daquela época, era uma brincadeira para as mais ousadas... eu era uma das que não tinham coragem de participar....

Mas hoje os adolescentes, e até as crianças, estão muito mas ousados... as tais pulseirinhas de silicone, quando arrebentadas, dão direito a fazer aquilo que representam. “Rosa, mostrar o peito; laranja, dentadinha de amor; verde, chupões no pescoço; rosa, sexo oral na menina; azul, sexo oral no menino; preta, fazer sexo com o rapaz que arrebentar a pulseira”.

Fiquei impressionada com a nova moda e vou cuidar para não usar as tais pulseiras, pricipalmente a pulseira roxa, uma de minhas cores preferidas...

Vai que uma garoto espinhudo e de voz esganiçada inventa de arrebentar a minha pulseira para fazer comigo um "beijo com a língua e talvez sexo"?

Quem tem filho nessa idade é que preste atenção!!!