sábado, 11 de abril de 2009

PÁSCOA!

Estamos na Semana Santa!

Santa quer dizer sagrada! No caso, a Semana é Sagrada porque nela comemoramos a morte e a ressurreição de Cristo.

Para os cristãos, é data magna. Pois o que justifica o Cristianismo é a Redenção!

Na saída do paraíso, pelo pecado: a morte e a separação. Mas na redenção temos o resgate de nossa condição de filhos amados de Deus.

É na aceitação plena dessa verdade que nos fazemos mais próximos de Deus.  Para mim, que sou cristã e que também entendo, pela psicologia, o processo de individuação, vejo na Páscoa cristã o simbolismo do  processo de individuação. A possibilidade de nos tornarmos cada vez mais quem realmente somos! A conclusão da jornada do nosso Eu!

O reconhecimento de nossas fraquezas, de nosso lado sombrio, é necessário para se dar início a essa jornada. Aquilo que se desejaria fazer de bem, nem sempre se consegue e o que não se gostaria de fazer de mal, muitas vezes acontece. Essa é a fraqueza do ser humano e o seu principal conflito. O reconhecimento dessa fraqueza é que nos impulsiona a buscar a integração de nosso Eu. Nos leva a buscar a integração e a completude através da integração de nosso lado masculino, para as mulheres, e do lado feminino, para os homens. Somos impulsionados a ser pessoas plenas, integradas para, finalmente, chegarmos ao nosso âmago, nos tornando cada vez mais próximos de nosso verdadeiro Ser, cada vez mais próximos de nossa Essência.

Isso acontece com o reconhecimento de que é necessário um sacrifício para que essa integração aconteça. Para os Cristãos, esse sacrifício foi feito por Cristo e, pela fé, isto é, aceitando esse passaporte, é possível resgatar a nossa condição divina.

Por isso gosto tanto da Páscoa! É uma oportunidade de refazer a cada ano esse ciclo. De trazer à memória o que pode nos dar a esperança de sermos pessoas mais próximas de nosso Eu Divino. A possibilidade de sermos mais próximos da Graça do Pai que nos recebe e nos ama tal como nós somos!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

CATANDUVA: Carnaval, ventiladores e pedofilia

Sou de Catanduva. Nasci lá, fui para o Rio e nunca mais voltei. Nunca mais voltei a morar, mas ia lá nas férias, visitar primos e avós.

Depois, adulta, quando falava em Catanduva, as raras pessoas que já tinham ouvido falar de minha cidade, logo diziam: – Ah!!! o melhor carnaval do interior de São Paulo!

Houve um tempo em que falar de Catanduva lembrava que a cidade é ou era a maior produtora de ventiladores do País. Um dia cheguei a ficar orgulhosa ao verificar que um ventilador que eu havia comprado era “made in Catanduva".

Há também os amigos que brincam com o nome da cidade: catando uva... sei lá por que a cidade é chamada assim.

O fato é que, finalmente, Catanduva entrou para as manchetes de jornais. Infelizmente, através de uma triste notícia: Lá existem pedófilos. Uma rede deles abusando de crianças inocentes. Um horror!

Acho bom, embora muito triste, quando essas notícias vêm à tona. Sim, vêm à tona... porque pedofilia e abuso de crianças não são novidade. Mas escondidos sob o manto do medo e da vergonha, muitos adultos de hoje, crianças de ontem, chegam à clinica psicológica com queixas diversas: dificuldades de relacionamento afetivo, dificuldades sexuais, medo generalizado de se relacionar, casamentos e escolhas mal feitas, dificuldade de delimitar seu espaço na família e na vida. No aprofundamento do processo, ou seja, na análise profunda, já decorrido algum tempo de psicoterapia, escondidas no inconsciente, vêm à tona as lembranças... as lembranças da criança abusada!

Não...não pensem que é esse tipo de abuso sexual explícito, com intercurso ou com exposições na internet. Até porque quando os adultos de hoje eram crianças não havia tanta tecnologia que facilitasse nossa vida e a propagação de atos impróprios. Com a tecnologia tudo se potencializa: o bem e o mal! Tudo anda mais rápido. Tudo é agilizado. Mas, no tempo da infância dos adultos de hoje, uma época onde tudo era mais escondido do que é hoje, já existiam, sim, a pedofilia e o abuso de menores.

As lembranças trazem cenas de medo, espanto e prazer... tudo misturado. São cenas noturnas de irmãos mais velhos, primos, tios, cunhados, que sorrateiramente entram no quarto para acariciar a menina, que, assustada, tranca a porta, se esconde, mas não conta nada a ninguém. E não conta porque intuitivamente sabe que o fato desvendado seria motivo de briga, discórdia e até, pasmem, perda do afeto do abusador. São cenas da menina moça, que já passada a época do colo adulto, se deixa seduzir pela sua própria carência de carícias inócuas, submetendo-se inocentemente às carícias erógenas. Ao invés do necessário abraço afetivo, recebe carícias em zonas íntimas, escondidas dos olhos ingênuos da mãe. Quando o abusador é o padrasto ou até mesmo o pai biológico, o medo é ainda maior, pois a sensação de prazer negado se mistura ao sentimento de medo e de traição à mãe. Medo de que a denúncia não seja ouvida. Medo de provocar briga entre os pais.

A notícia de Catanduva é muito triste... mas que a atenção ao mal maior não esconda o que acontece sorrateiramente no silêncio de tantos lares...