segunda-feira, 16 de março de 2009

PEDAGOGIA DO AMOR

- PEDAGOGIA?????? Como assim, pedagogia? Você tem capacidade para fazer qualquer curso que queira...

O pai da adolescente precoce e inteligente não se conformava com a decisão da filha que, desde pequena, sabia o que queria. Acabara de prestar o seu primeiro vestibular na USP com pontuação suficiente para ingressar no curso de medicina.

- PEDAGOGIA????? Perguntaram tios e parentes. Ele tem capacidade para fazer qualquer curso que queira....

Ele já estava inserido e bem reconhecido no meio profissional. Trabalhara na Europa, disputado entre grandes empresas de desenvolvimento tecnológico. Trancou o curso de matemática na USP e enfrentou novo vestibular.

Foi na pedagogia que se encontraram. Encontraram seus sonhos e encontraram um ao outro. Se encontraram... e se apaixonaram....

Foi na pedagogia democrática. Na pedagogia que propõe um modelo de processo decisório participativo. Coerentemente, todas as decisões do jovem casal de namorados eram e são discutidas e decididas em consenso.

Fico pensando... eu, que na clínica vejo tantos casais que não se entendem... Não se entendem porque um quer decidir mais do que o outro. Porque um quer prevalecer a sua vontade e seus interesses acima dos interesses e objetivos que deveriam ser do casal.

Lembro de um velho e sábio pastor presbiteriano que dizia: - "O casal não deve sentar um na frente do outro. É preciso sentar lado a lado e, ao invés de olhar um para o outro, devem olhar juntos para o mesmo objetivo."

Olhar para o outro permite ver qualidades, sim, mas, invariavelmente, com o passar do tempo, diante das frustrações pessoais, o mais comum é olhar para o outro e perceber nele as suas próprias e frustradas projeções.

Lembro de Rubem Alves, em sua sábia crônica em que compara o casamento a um jogo de frescobol. Muitos casais tentam fazer do casamento um jogo de tênis, onde um tenta sempre ganhar do outro. O ideal é, ao invés de jogar tênis, jogar frescobol. No frescobol o objetivo não é ganhar do outro. O objetivo é manter a bola no ar. E para isso é preciso sempre colaborar, um com o outro, juntos, com o mesmo objetivo.

Pensando em tudo isso, recebo o convite de casamento dos dois. No convite, a imagem de ambos olhando e apontando para o mesmo lugar! Um lugar comum. Um sonho possível de se concretizar!

Neste ano, em que iniciam sua vida de casados, iniciam um projeto educacional. Com um grupo de colegas, abrem uma escola com a proposta de Educação Democrática! Cada um divide seu tempo, entre outros projetos, para plantar e regar a semente de um grande projeto! Nos dizeres do padrinho: "Assim, temos um casal que promete, pois o Luis e a Carol vão, sem dúvida, marcar fortemente a área da educação no Brasil, com suas ideias muito originais"!

O segredo do segredo, como diz o Bonder, é o Sagrado! É quando o nosso desejo é o melhor, não só para nós, mas para o coletivo, para a comunidade, para a Nação, para o Planeta!

Que Deus abençoe essa sagrada união e, através dela, seus projetos na construção de um mundo melhor!


Minha homenagem a Carol e Luis que se casaram neste fim de semana, numa bucólica e aconchegante cerimônia, com a presença da família e dos queridos amigos.

Para conhecer o projeto educacional, acesse: http://www.politeia.org.br

quinta-feira, 12 de março de 2009

DOCE POESIA

Faz tempo que não escrevo! Me perguntaram por quê.

- Faço doces! Faço trufas e bem-casados. É meu filho quem vai se casar.
A noiva é bela e inteligente!

Tal qual a irmã de Maria, me ocupo nestes tempos com as coisas de casa. Essas coisas de mulher...

Das mulheres antigas que, à beira do fogão, mexiam a panela.

Não tenho fogão a lenha, nem tacho de cobre. A cozinha é de apartamento, na Capital Federal!

A panela é de inox, mas a colher é a minha velha colher de pau...

E assim tenho passado os meus dias...

Tal qual a mestra Coralina do velho Goiás, enquanto mexo a panela do doce, vou mexendo as palavras e fazendo poesia!