domingo, 8 de fevereiro de 2009

FESTA SÓ DE OLHAR

Acabo de receber um e-mail de uma amiga compartilhando a cura de seu filho. Lembra daquela crônica que eu publiquei, "A REZA DO AMOR"? Então, aquela mesma. Todos os amigos, independente do credo, reuniram-se para rezar/orar/meditar...cada um do seu jeito... do jeito que acreditava ser o melhor para si. Todos se uniram e se reuniram com um único propósito: interceder pela cura do filho daqueles amigos. Todos sofreram com o casal. Todos torceram pelo menino. Todos acompanharam as notícias. Foram longos meses de quimioterapia e uma cirurgia complicada. A cada intervenção, uma expectativa, uma esperança, uma alegria de cada vez, pelas pequenas e decisivas vitórias que foram sendo alcançadas. Agora a mãe agradece. Aliviada, feliz, esperançosa de que a sombra da doença fique longe de seu lar.

Na semana passada, foi outro casal de amigos. A sua primeira netinha nasceu com problemas respiratórios...foi direto para a UTI. Também foi aquela mobilização. O que era para ser uma reunião de oração foi um culto de igreja cheia em plena sexta-feira! Todos se mobilizaram! Todos intercederam. Todos aguardaram. A pequena criaturinha, já fiquei sabendo, está se recuperando e até se alimentando.

Fico pensando nessas horas, como é bom poder contar com amigos, com gente ao redor. Com gente que gosta de nós. Contar com amigos que se preocupam, que choram conosco e se alegram também.

Mas, já perceberam que a união acontece mais nos momentos de angústia do que nas horas de alegria?

Antigamente, não sei se era porque as coisas eram mais fáceis ou porque o grupo de amigos era mais restrito, havia o costume de se comemorar aniversários... o motivo do encontro era a alegria! As coisas foram ficando mais difíceis.. antes, para dar uma festa, bastavam alguns salgadinhos que tínhamos tempo para fazer, uns brigadeiros enrolados ao pé da conversa na cozinha, um bolo de chocolate! Pronto! Estava pronta a festa! Todos se reuniam com alegria e refrigerantes.

Casamento também era muito mais simples do que os de hoje, em que os noivos precisam começar a planejar com cerca de um ano de antecedência, pelo menos aqui em Brasília, para garantir igreja, salão de festa, fotógrafos e tudo o mais que a atual "indústria de casamento" inventou...Estica aqui e acolá o orçamento. Diminui aqui e acolá a lista de convidados... não dá para compartilhar esse momento tão importante com todas as pessoas que gostaríamos que estivessem presentes.

Outro dia, lendo a Clarice, a Lispector... gostei de uma de suas crônicas em que ela propõe uma festa: "Uma festa sem bebida, sem comida, festa só de olhar"...

Gostei da idéia! Quem sabe assim a gente consegue se encontrar nos momentos de alegria, sem precisar gastar!!!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

“DESPREGUIÇANDO...”

Aos poucos ele foi acordando... ficou ainda um tempo na cama pensando nas perspectivas da nova etapa que se iniciava... foi espreguiçando o corpo adormecido pela pausa do descanso. Esticando, puxando, sentindo cada um de seus músculos, estalando as articulações enferrujadas.

Estava com preguiça de se levantar!

Às vezes confundimos a lentidão do corpo e da mente com a preguiça. Há momentos em que a mente e o corpo estão, realmente, lentos. A máquina ficou parada e leva algum tempo para aquecer. Às vezes isso tem a ver com cansaço. Cansaço mental! Cansaço corporal! Cansaço de ter trabalhado muito! Cansaço de não ter feito nada!

Para mim, esse cansaço de não ter feito nada é o que eu chamo de preguiça. Preguiça gostosa de ficar um pouco mais na cama. Preguiça de sair e vontade de ficar o dia inteiro em casa, almoçando comida "delivery", assistindo DVD ou tantos outros programas descompromissados na TV.

Há pessoas que consideram a preguiça “coisa feia”. Lembram-se da fábula da cigarra e da formiga. A formiga estava sempre a trabalhar, a cigarra a cantar. No inverno a formiga tinha o seu estoque de alimento para toda a estação. A cigarra, não! A cigarra foi bater à porta da formiga... afinal ela merecia couvert artístico. A formiga trabalhara com fundo musical! Pobre cigarra: levou uma "porta na cara". A formiga “não estava nem aí” para a arte e a cultura... Não sabia que uma parte do imposto de renda pode ser dedicada ao patrocínio da arte. Não sabia que cantar também é trabalhar!

Ouvindo essa fábula desde criança, contada pelas mães preocupadas com a falta de vontade dos filhos de ir à escola e de estudar, muitas pessoas crescem sem se permitir descansar. Sentem-se culpadas e ocupadas o tempo todo. Não se deixam ficar ao tempo e ao vento. Não se permitem ficar sem fazer nada de vez em quando.

Até Deus descansou! Trabalhou com afinco durante seis "dias" e no sétimo descansou. Ou trata-se de uma descrição simbólica, ou o dia dEle deve ser tão grande quanto Ele. O fato é que parece que Ele continua descansando até hoje. Ele fez tudo certinho e deixou tudo funcionando direitinho. Só que deu "vírus" no seu computador. Algum vírus implantado por pessoas “que não estão nem aí” para o planeta. E enquanto Deus tira a sua soneca, não percebe que o sistema de chuvas anda descontrolado, o aquecedor global aquecendo demais e o ar condicionado desregulado.

O ANO então, pensando em tudo isso, percebeu que estava na hora de se levantar. "Há muito trabalho a fazer...."