sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

COMEÇAR DE NOVO



Cada ano que finda é mais uma página virada em nossas vidas!

É um tempo em que se aproveita para fazer reflexões sobre o que se passou. É tempo de fazer promessas que nem sempre serão cumpridas. É tempo de avaliar, reavaliar, repensar, planejar.

É tempo de pensar quão depressa passa a vida.É tempo de fazer contas, ou não... é tempo de viajar, de tirar férias. É tempo de festa e de comilança....

É tempo de ritual: branco ou outras cores que signifiquem aquilo que se quer realizar. É tempo de tomar banho de cheiro, de arruda – para dar sorte –, de comer lentilha, para ganhar dinheiro.

Cresci, como neta de libaneses, tomando uma tradicional sopa de lentilhas. Receita de família. Receita da minha avó! Um dia a família ficou sabendo que comer lentilha na passagem de ano trazia sorte e dinheiro.... Como nós já gostávamos mesmo da tal sopa de lentilhas, a família passou a comemorar sempre com a sopa. Virou tradição! Se desse mesmo certo, acho que eu e todos da família já estaríamos ricos....Acontece que, como muitos outros rituais e sugestões, tudo não passa de superstição.

Mas tem um ritual... esse eu recomendo. Dou garantias de que dá certo!

Pegue um papel em branco e uma caneta. Faça uma lista de tudo o que você viveu e não gostou. Liste as mágoas e rancores que você guarda em seu coração. Em seguida, medite sobre cada um desses itens de sua lista. Reflita sobre o motivo que gerou aquela insatisfação. Pense na sua responsabilidade sobre o que aconteceu. É fácil imputar sempre a culpa no outro... mas para que esse ritual dê certo, é preciso ser honesto e pensar: qual a minha parte de culpa pelo que ocorreu?

Em seguida, pegue um outro papel em branco. Da primeira lista, pense, para cada um dos itens da lista anterior, como você pode mudar a situação. O que você pode mudar no seu jeito de ser e de agir para evitar outras situações semelhantes, ou transformar o que aconteceu. Dessa reflexão, vá listando o que você pode fazer para ser, no ano que se inicia, uma pessoa diferente. Uma pessoa mais feliz.

Para finalizar, queime o primeiro papel. O papel da lista com as coisas que você não quer mais para sua vida. Mas QUEIME mesmo!!!! Cuidado para não botar fogo na casa.... mas, queime! E enquanto a chama apaga tudo aquilo que você não quer mais, acompanhe com os olhos a fumaça que leva para o alto, como um ritual de entrega, de sacrifício, tudo aquilo que você quer deixar. Parece fácil, mas não é não...

Em seguida, depois de queimadas as coisas que você não quer mais, pegue o segundo papel. Aquele em que você escreveu suas propostas de mudança. Leia-as novamente. Aproprie-se delas. Agradeça pelas mudanças que já estão ocorrendo em sua vida. Guarde o papel num lugar em que você vai sempre vê-lo. Um livro, por exemplo, ou o espelho do banheiro, ou qualquer outro lugar visível. Guarde-as, principalmente, em sua mente e em seu coração!

Cumprindo esse ritual com sinceridade, com verdade e com vontade de mudar, tenha certeza de que as mudanças começam a acontecer mesmo antes de você perceber. Tenha certeza de que no próximo ano, quando for repetir o ritual, você perceberá o quanto mudou, mesmo sem perceber. Você, durante o ano, vai começar a perceber que as pessoas o vêem diferente, mesmo que não se manifestem a esse respeito. Você vai perceber que novos relacionamentos vão surgir na sua vida. Haverá, certamente, relacionamentos que irão... sendo uma pessoa diferente, você vai atrair pessoas e relacionamentos diferentes também.

Pode ser que você ache isso tudo que falei uma grande bobagem e nem consiga acreditar na proposta.... fazer o quê?

O ritual de mudança só dá certo para quem quer mudar! Para quem deseja se aperfeiçoar! Para quem tem a coragem de olhar para si mesmo e, humildemente, ver o que precisa mudar. Para quem tem vontade e persistência!

O ritual só dá certo para quem acredita! Não só na proposta, mas principalmente para quem acredita em si mesmo e na sua capacidade de mudar!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ainda, o NATAL!

Hoje é NATAL!
Recebi ontem esta linda mensagem de Natal do amigo Aldo Fagundes, que autorizou a sua publicação. Muitos leitores até hoje comentam pessoalmente a mensagem do mesmo autor, publicada no Natal de 2007. Que esta possa mais uma vez nos inspirar!

NATAL

Natal é o tema desta hora. A gruta de Belém. A Manjedoura. O momento especial onde Deus invadiu a História, ao nascer como uma criança.

Dos textos bíblicos reacionados com o Natal, destaco dois: Isaias 11 e Lucas 2. Tão bonitos, na singeleza, na simplicidade, na ingenuidade até da descrição. O Profeta fala de um renovo que há de vicejar de um tronco.Tudo se foi ou tudo passou. Está só o tronco, mas do que sobrou Deus faz nascer um renovo, como um sopro de primavera, cheio de vida e de flores.

Este renovo, na palavra do Evangelista é a Encarnação. O Menino de Belém é a gloriosa Promessa. É a misericórdia de Deus. É a compaixão de Deus. é a oblata de Deus.

Neste final de ano, com gratidão a Deus pelas bênçãos recebidas, procurei uma palavra-síntese, para com seu enunciado apresentar a mensagem de Natal. Encontrei-a no Apóstolo Paulo. A palavra é esta: Reconciliação. Escreveu o Apóstolo, na segunda Carta aos Coríntios: "...Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo... Em nome de Cristo, pois rogamos que vos reconcilieis com Deus". (II Cor.5.19 e 20)

Esta é a mensagem: Reconciliação!

Reconciliação de cada um consigo mesmo, superados, em Deus, os temores, as angústias, as incertezas e as perplexidades quanto ao futuro. Reconciliação com o próximo, na família e no lar, na comunidade e no trabalho - um gesto de tolerância e paz. Reconciliação com Deus, o único Senhor, aquele que, na Encarnação, tomou a iniciativa na pessoa de seu próprio Filho. Aquele que é sempre perdão e amor.

Deus é por nós. Por isso, aquele raio de luz da Mangedoura de Belém não apenas invadiu a História. Aquele raio de luz até hoje ilumina a nossa caminhada na busca da vida eterna.

Feliz Natal e que Deus nos abençoe.



Aldo Fagundes foi deputado federal por quatro legislaturas e assessor especial do PMDB por 4 anos. Encerrou sua brilhante carreira pública como Presidente do Superior Tribunal Militar. Hoje, além de outras atividades, é professor da classe de adultos na Escola Dominical da Igreja Metodista da Asa Sul, em Brasília.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O MENINO-DEUS



Poderia ser uma mulher como outra qualquer... Poderia ser uma cidade como outra qualquer... Poderia ser um berço qualquer...

Mas foi de uma mulher escolhida por Deus, em condições especiais, que nasceu um menino diferente!

O Menino-Deus!

Deus que se fez humano, que habitou entre nós!

Que mesmo sendo Deus, viveu como homem!

Um homem comum, como outro qualquer!

Com os mesmos desejos e medos. Com as mesmas emoções!

Ele veio com uma missão especial: nasceu para morrer! Morreu para renascer... e fazer nascer dentro de cada um de nós, a possibilidade de nos eternizar!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O MELHOR PRESENTE DE NATAL

Mais uma vez, chegou o Natal!

O Natal tão comemorado pelas crianças! O Natal tão comemorado nas famílias e nas igrejas!

Mas quem mais comemora atualmente o Natal é o comércio!

Natal é tempo de festa, de alegria!

Mas também é tempo de luto e de tristeza...

O que para muitos é alegria, é reunião de família, é troca de presentes, para muitos outros também é motivo de tristeza, é motivo para entrar em contato mais profundo com a amarga solidão.

É tempo de lembrar as pessoas queridas que se foram. È tempo dos casais separados disputarem a presença dos filhos em suas comemorações. É tempo de casais discutirem sobre a agenda das festas. A agenda vai virando um eterno motivo de conflitos.

Os casais “têm que” dar atenção para a família de ambos. E aí família não significa a família nuclear (pai, mãe e irmãos) de cada um dos cônjuges. Família de Natal é a grande família: inclui avós, tios e primos de ambos. A agenda fica cheia.

Pior ainda quando o casal se separa, pois os filhos são solicitados, obrigados, chantageados, para cumprirem a agenda de Natal. As crianças exercem papel especial nessa disputa. Natal sem criança não tem graça! “O bom do Natal” é ver aquela bagunça de presentes abertos, brinquedos que os adultos gostariam de ter ou de ter tido. Quem já não presenciou a cena de pais disputando o privilégio de brincar com os brinquedos dos filhos?

Além dos conflitos de agenda das família, há a tristeza de quem não tem família perto, e de quem vive o luto. Vive a tristeza de lembrar que outrora a família se reunia com a presença de alguém que já se foi.

Por tudo isso é que o Natal, tão apregoado como festa pela alegria do Nascimento de Jesus Cristo, pela Encarnação de Deus, acaba sendo motivo de brigas, confusões, disputas, tristezas.

O que deveria unir família, muitas vezes afasta pessoas que gostariam de estar sempre juntas.

A data escolhida para o Natal, ao contrário do que muitos pensam, nada tem a ver com a data de Nascimento de Jesus. Antes já existia uma festa pagã nessa época. “Segundo certos eruditos, o dia 25 de dezembro foi adotado para que a data coincidisse com a festividade romana dedicada ao "nascimento do deus sol invencível", que comemorava o solstício do Inverno. No mundo romano, a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno, era comemorada de 17 a 22 de dezembro; era um período de alegria e troca de presentes. O dia 25 de dezembro era tido também como o do nascimento do misterioso deus persa Mitra, o Sol da Virtude. Assim, em vez de proibir as festividades pagãs, a Igreja forneceu-lhes um novo significado, e uma linguagem cristã” (Wikipédia).Para distrair a atenção do povo pagão, e trazê-los para o Cristianismo, a tal festa foi transformada em Natal, nascimento de Cristo. Já que não dava para competir, a Igreja resolveu se aliar. Aproveitar a antiga data e oferecer outro motivo.

O disfarce parece que deu certo... até um certo ponto!

Acontece que o novo argumento, a Encarnação, não dissipou o jeito antigo e pagão de comemorar. Daí é que o nascimento de Cristo, que foi humilde, simples, despojado, passa a ser comemorado com esbanjação, com exageros de presentes e de comida. Com falsas alegrias, com fingimentos de estar feliz.

Minhas reflexões podem parecer pessimistas... e talvez você se pergunte: afinal, porque falar de tristeza nas vésperas do Natal?

Perdoem-me... minha intenção não é essa.

O que desejo é que neste Natal, você possa comemorar, não a origem do Natal, mas origem do novo motivo escolhido para o Natal: O nascimento de alguém que veio trazer uma proposta diferente para nossas vidas.

Que o Natal não seja apenas a lembrança histórica do nascimento de um menino que nasceu em Belém.

Que, quem sabe... você possa começar a ver diferente!

Que o Natal para você não seja ceia, comilança, reuniões, presentes nem gastanças exageradas.

Que neste Natal você possa se propor a ter relacionamentos mais verdadeiros. Que as reuniões gerem intimidade. Que se possa falar a verdade e viver a realidade.

Um festa em que o Amor Verdadeiro seja o melhor presente!

domingo, 14 de dezembro de 2008

QUE LIVRO É ESSE?


“Tem Bíblia com cantor?”

A pergunta foi feita por uma senhora que acabara de entrar na loja da Sociedade Bíblica, onde eu trabalhava. Era o ano de 1973. A loja ficava no Edifício da Bíblia, um gracioso prédio na avenida L2 norte, em Brasília.

Aquele era praticamente o meu primeiro emprego entre os 18 e 19 anos de idade. Eu gostava de receber as pessoas que iam lá comprar Bíblias e outras publicações da SBB. Eu gostava de identificar, pela forma de se vestirem, pela linguagem que utilizavam, pelo “jeito da pessoa”, qual a igreja que freqüentavam.

A senhora que perguntara sobre a “Bíblia com Cantor,” estava à procura da Bíblia em que tinha acoplado o Hinário Cantor Cristão. Provavelmente ela era da Igreja Batista, que utiliza até hoje esse hinário. Havia também aqueles que procuravam a Bíblia com Harpa Cristã. Esses se vestiam com roupas mais comportadas e as mulheres tinham o cabelo comprido. Eram da Assembléia de Deus.

Além de gostar de vender Bíblias, eu gostava de conversar com aqueles irmãos e irmãs. Gostava muito de trabalhar lá. Hoje, como psicóloga, posso avaliar que foi a empresa com o melhor “clima organizacional” em que trabalhei. Começávamos o expediente com uma devocional, dirigida pelo então Secretário Regional em Brasília, Rev. Valdir Soares.

São lembranças que alimentam a minha alma. São lembranças de um tempo importante para mim. Um tempo de muita aprendizagem profissional, além de um tempo de uma preciosa aprendizagem vivencial sobre relacionamento no trabalho e sobre o sentido de missão no trabalho.

Minha convivência com a Bíblia começou muito cedo. Desde sempre, em casa e na Escola Dominical, eu tinha acesso às histórias da Bíblia. Tenho uma foto, onde eu tinha uns dois a três anos, lendo uma revista. Hoje, com a tecnologia, escaneei e ampliei a foto. Tinha curiosidade para saber que revista era aquela que eu lia. Pude identificar o título da história: JESUS. Lembrei então da revista Nosso Amiguinho, publicada pela Igreja Adventista, que contava histórias bíblicas. Assim cresci gostando de ler a Bíblia.

Quando criança, eu lia as histórias do Antigo e do Novo Testamento. Gostava das histórias com crianças, como a de Davi e Golias e de Samuel, que ouvira a voz de Deus. Gostava da história (ou seria estória?) de Jonas na barriga da baleia. A história de Zaqueu, que subiu na árvore, e a da menina que Jesus ressuscitou. Histórias bem mais interessantes do que essas que habitam nas mentes das crianças de hoje, empanturradas de televisão. Histórias que traziam o inacreditável em que se podia acreditar.

Depois, na adolescência, na idade de florescer as primeiras paixões, gostava de ler os Cânticos, a bela poesia ao amor. Nas horas de angústias, gostava de ler os Salmos. Eram a minha “terapia”. Eu procurava um Salmo que se identificava com aquele momento que eu estava passando. Na medida em que eu ia lendo e que o salmista ia melhorando o seu estado de espírito, eu pegava uma carona e melhorava o meu também.

Mas houve uma fase em que eu comecei a ver a Bíblia com outros olhos. Com olhos críticos, “científicos”, e comecei a questionar os fatos e analisar racionalmente os relatos. Alguns eram “difíceis de engolir”.

Mais tarde, quando passei a estudar Psicologia, comecei a perceber que muitos relatos que antes eu questionara, à luz da psicologia, faziam sentido, como por exemplo as curas que Jesus fazia. A psicossomática, que estuda a relação entre as doenças psíquicas e somáticas, traz alguma contribuição a essa compreensão. Há estudos sobre a energia do corpo humano que explicam a fala de Jesus, quando Ele disse que sentiu poder saindo de si, quando a mulher que o tocou ficou curada.

Estudando a Psicologia Analítica, que aprofunda o estudo do simbólico, encantei-me ainda mais com os escritos bíblicos, passando a considerar muitas passagens que, embora eu aceitasse pela fé, no fundo as achava meio absurdas. Passei a entender o caráter simbólico de muitos textos bíblicos. Embora eu não consiga entender praticamente nada de Física Quântica, já percebo também que há explicação científica para muitos outros relatos.

Essa ainda é uma caminhada longa... Se para mim, no início, a Bíblia era um livro de fé e religião, hoje descubro que é isso e muito mais. É um livro incrível, em que, cada vez mais, descobrimos novas verdades, novos parâmetros e é incrível como foi escrito há tantos anos atrás.

No segundo domingo de dezembro comemoramos o Dia da Bíblia. Nada mais justo! Merecida homenagem ao Livro dos Livros. Não foi à toa que foi o primeiro livro a ser impresso por Gutemberg. Pelo direito das pessoas comuns de terem acesso à sua leitura foi que Lutero a traduziu, e assim, sem que tivesse a intenção, nasceu a primeira Igreja Reformada.

A Bíblia é livro de cabeceira. Nos mistérios, que são insondáveis, ela mesma se explica: “Agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido”.

Sábios são os homens e as mulheres que a lêem e meditam em suas palavras!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O TEMPO VIROU...

Outro dia uma leitora do Blog comentou a crônica "E A PRIMA VERA SE FOI". Disse-me que gostou, mas achou o final triste, por eu ter escrito que "a primavera da minha vida se foi".

Achei interessante, mas ao mesmo tempo estranho ela ter feito esse comentário. Estranho porque para mim é natural a passagem do tempo e da vida. Disse a ela que, realmente, a primavera da minha vida se foi. Já não é mais tempo de desabrochar em flor. Já se foi o tempo do viço da juventude. Agora, disse-lhe, eu vivo um outro momento. O momento do outono. Outono é a época de se colher os frutos do que se plantou.

Compartilho essa experiência e esse pensamento porque tenho visto pessoas inconformadas com a passagem do tempo. O aparecimento das primeiras rugas já é motivo para usar botox. As segundas prenunciam o tempo de cair na realidade do tempo que passou. São pessoas que não viveram suficientemente o passado, a primavera e o verão de suas vidas. Não viveram talvez por pensar demasiadamente no futuro. Vivemos na juventude pressionados pela necessidade de investir na profissão, de construir família, de construir patrimônio. Quando acordamos percebemos que os filhos já cresceram e saíram de casa. Percebemos que o tempo passou.

Alguém já disse que a vida passa como as quatro estações: primavera, o florescer; verão, o tempo quente das paixões; outono, o tempo de colher os frutos do que se plantou; inverno, o tempo de se recolher.

Gosto de todas as estações!

A primavera é o tempo de florescer. Gosto quando surgem os primeiros ipês... depois vêm os flamboyans... o colorido das copas em pouco tempo colorem a grama! O vento espalha cor e alegria nas asas de seu frescor! Assim também, em nossa vida, a beleza do desabrochar perfuma o tempo e alegra a todos ao redor! O sorriso da criança abre nossos corações para contemplar a beleza desse amanhecer.

O verão é tempo de dias mais longos, de terminar o expediente à luz do sol, com tempo para caminhar. É tempo de férias, é tempo de sol e calor. É tempo de andar descalço na praia, de ficar à vontade de shorts e de maiôs...De vestir roupas coloridas, de se sentir, independentemente da idade, um pouco mais jovem também. No verão de nossas vidas, é o tempo quente das paixões. Não só as paixões do amor, mas também as paixões do trabalho, as paixões dos movimentos políticos e sociais, as paixões dos nobres ideais!

O outono é tempo de colher os frutos maduros que se plantou. Os frutos plantados por nós. Os frutos que o outro plantou. Quem trabalhou, investiu, pode agora apreciar o resultado de seu trabalho. É tempo de reconhecimento profissional. É tempo de ver os filhos crescidos, realizando os sonhos deles e os nossos de vê-los bem. É tempo de saber que os ideais e esperanças da juventude, mesmo que nem todos eles tenham sido realizados, foram importantes para termos chegado até aqui. Os sonhos impulsionaram as realizações, mesmo que não tenhamos realizado especificamente aquilo que queríamos. Por não sermos donos do mundo e não controlarmos todas as variáveis, nem sempre as coisas saem do jeito que desejávamos. Mas, mesmo assim, quando vivemos o outono de nossas vidas, sabemos que as coisas que não aconteceram, não aconteceram porque não tinham que acontecer. São como os frutos que não vingaram e não fizeram diferença, pois havia tantos outros, que não haveria mãos para colher.

Em Brasília há quem não goste do inverno. O inverno aqui é seco. O gramado, marca registrada daqui, fica cinzento. Havia um tempo em que eu não gostava do inverno de Brasília. Eu olhava para baixo, para a grama e pensava: como a grama está feia! Mas um dia, comecei a olhar para as árvores. Já reparou como as árvores no inverno de Brasília ficam bonitas? As folhas secas vão mudando a cor das copas, que ficam avermelhadas, refletindo o lindo pôr-de-sol desses tempos de seca. Quem olha sempre para baixo não gosta do inverno de Brasília. Quem olha sempre para baixo não gosta do inverno de suas vidas.


Inverno é tempo de recolher. Não recolher da vida. É tempo de recolher para apreciar tudo o que plantamos, tudo o que colhemos, tudo o que foi realizado. É tempo de sentir que a vida vale a pena! Antigamente era um tempo em que avós ficavam em casa esperando a visita de filhos e netos. Era tempo de ficar sentado na cadeira de balanço com óculos de leitura, fazendo crochê. Era tempo de sentar no sofá assistindo televisão. Hoje, não! As pessoas que antes eram "velhas", hoje são vigorosas, freqüentam academias, viajam e são presença freqüente nos programas culturais. Saem para dançar e aproveitam o tempo para namorar.

Hoje em dia, parece mesmo é que o tempo virou. E tudo o que era já não é mais. Parece que não existe mais primavera, verão, outono e inverno... Tem gente florescendo aos cinqüenta, tem gente malhando aos sessenta, tem gente estudando aos setenta e tem gente namorando aos oitenta.....