sexta-feira, 26 de setembro de 2008

VOCÊ GOSTA DE AMORA?

Foi só na segunda volta na superquadra, em minha caminhada matinal, que percebi o pé de amora carregadinho de amoras bem pretinhas, no ponto de serem saboreadas.

Esqueci por um momento mágico todas as recomendações de médicos e educadores físicos e parei ali, prostrada diante daquele altar natural. A contemplação da natureza e de suas maravilhas nos faz estar mais perto de Deus e de nós mesmos.

No instante seguinte me vi colhendo e saboreando os pequenos frutos adocicados. Os frutos vermelhos, ainda ácidos para o meu paladar, eram visíveis, fáceis de serem encontrados. Mas para achar os frutos mais saborosos, era preciso atenção, pois confundiam-se com os galhos e se posicionavam estrategicamente nos lugares de mais difícil acesso, como que se protegendo das investidas de caminhantes ávidos como eu.

Mas eu insistia e, perseverante, os encontrava para o meu deleite. Quando em determinada posição não conseguia mais achá-los, bastava uma pequena mudança de ângulo e lá estavam eles à minha espera, como que, apesar da tentativa de se esconderem, contentes por premiarem o meu esforço e insistência em encontrá-los.

Era como se as pequenas amoras brincassem de esconder mas, ansiosas, estivessem à espera de que eu as encontrasse. Era como o jogo do amor, que se faz que não quer, quando se quer.

Aquele ciclo de busca, encontro e deleite me envolveu a ponto de, esquecendo a minha idade, esquecendo de quem passava por ali, subir nos galhos para assim, mais de perto, envolvida e abraçada pela árvore, provar o seu doce fruto.

Entendi então, naquele momento mágico de doce deleite, a antiga brincadeira da minha infância: "Você gosta de amora? Vou falar para o seu pai que você namora...."

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

BEM-ME-QUER, MAL-ME-QUER

No meu tempo de adolescência - e olha que já se vão alguns anos - nós tínhamos um costume que hoje já não sei se existe ainda. As meninas apaixonadas, querendo saber se podiam nutrir esperanças, despetalavam uma flor. Como no sistema binário que hoje determina e facilita quase toda a comunicação virtual, alternavam-se as opções: mal-me-quer, bem-me-quer. Na época em que tudo era sonho e ilusão, só interessava saber se o "moço" a queria, ou não.

Hoje os tempos mudaram. Os meios de comunicação se sofisticaram, mas o jeito de amar parece que não mudou. Ainda há falas não faladas, gestos dúbios que deixam dúvidas sobre os seus significados. Fica o não dito, pelo dito.

É a ligação que não é atendida, o e-mail indireto, o fingir que nada está acontecendo. O olhar não olhado, a palavra vazia! O diálogo mudo, dúbio, de corpos que falam o que palavras não conseguem ou não querem dizer.

E não dizem para não se comprometer, pois palavra tem força de fazer acontecer! Palavra que nos tempos de outrora era honra, agora é comunicação direta. Não deixa dúvidas, não deixa a possibilidade de voltar atrás. Não deixa oportunidade para se arrepender.

Palavra também que, mesmo deixando a força de outrora, não quer dizer e desdizer. Não quer voltar atrás, não quer dizer que, na verdade, nada se sabe sobre nada.

Quem pode adivinhar se vou gostar para sempre? Quem pode dizer que não vou me arrepender? Por isso é mais fácil não dizer. E sem dizer também não se vive o que poderia ser. Poderia ser muito bom. Poderia ser triste ou alegre. Poderia ser por um momento. Poderia ser por um dia, poderia ser para sempre.

Mas sem dizer o que se sente, também não haverá o ouvir o sentir do outro. Também não haverá elo na cadeia de trocas que podem vir a ser beijos e abraços vazios. Mas também poderiam vir a ser a cumplicidade por um tempo que não somos nós que vamos determinar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O NÃO DITO, PELO DITO

Há um velho ditado: "O dito, pelo não dito", referindo-se àquelas coisas que dizemos e depois desmentimos.

Mas há também assuntos sobre os quais precisaríamos conversar e não o fazemos.

Não gostamos de falar sobre quem somos, pois isso ameaça o nosso desejo de sermos amados. Não gostamos de falar daquilo que pode fazer o outro pensar mal da gente: aspectos que revelam o que realmente somos e que não queríamos ser.

Não gostamos de falar a verdade. Temos medo de dizer o que o outro pode não gostar. Não queremos correr o risco do outro deixar de gostar da gente.

Não gostamos de falar de assuntos que podem causar confusão. Aquilo que pode desestabilizar a falsa harmonia dos grupos. Verdades ocultas que, vindo à tona, podem trazer desconforto nos relacionamentos acomodados e acostumados a não questionarem os porquês.

Não gostamos de falar sobre tudo aquilo que nos traz tristeza. Não gostamos de falar da morte.

Não gostamos de falar sobre coisas que, pensamos, podem nos trazer azar. E, se por acaso o fazemos, batemos três vezes na madeira, para "isolar".

E assim, não gostando de falar, deixamos de nos comunicar. Deixamos de compartilhar nossas verdades, nossos desafios, nossos desejos, nossos medos, nossas dores. Achamos que o outro deveria saber o que sentimos. Achamos que ele tem bola de cristal e adivinha nossos pensamentos e sentimentos. Achamos que o outro, pelo que deixamos de falar, entende o que não queríamos ou queríamos dizer.

E assim, pensando que o outro pensa o que pensamos, pensamos que pensamento é palavra fora da gente.

Pensamento só fica na cabeça da gente e, se não falar, de nada adianta só pensar.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Amor de avós "estraga" a criança?

Um dos comentários que sempre se ouve nas famílias é sobre os mimos que fazem os avós ao seus netos.

Tem coisa melhor do que casa de avós? Tem coisa melhor do que a expectativa de ir à casa dos avós ou sair com eles?

Só quem não conviveu com seus avós é que não sabe como isso é bom. Como essa convivência faz bem para a criança, quando ainda é criança, e para a criança que nós temos dentro de nós.

Eu, como muitos dos que vieram para Brasília quando crianças, deixei para trás minha cidade natal, onde moravam os meus avós. A oportunidade que eu tive de conviver com eles era quando, nas férias, nós os visitávamos.

Eu me lembro bem da casa de esquina numa rua da qual não sei o nome, em minha cidade natal, Catanduva, no interior de São Paulo. Meu avô ficava sentado no alpendre, um tipo de varanda daquela região, que não sei se ainda se constroem. Da calçada, subíamos alguns degraus e adentrávamos ao alpendre, antes da porta principal da casa. Era lá o local onde as pessoas chegavam e sentavam para conversar. Sentado no alpendre, meu avô ficava lá, cumprimentando toda gente que passava na calçada. Era de lá que eu ouvia o assobio do vendedor de picolé, avisando que estava passando por ali, chamando todas as crianças para aquela hora mágica, no meio do calor da tarde. Da minha avó, lembro da rosca doce que ela fazia e do momento em que ela soltava seus longos cabelos, que nunca viram tesoura. Lembro da cozinha, do quintal e até do cheiro característico da copa. Tudo isso guardo nas lembranças que alimentam a minha alma. Era um tempo de felicidade encontrar os primos nas férias, quando eu ia para a casa dos meus avós.

Mas hoje alguém inventou, baseado não sei em que, que avós fazem mal aos netos, pois dão muito carinho...

Será que existe excesso de carinho? Será que existe carinho demais?

Não sou especialista em psicologia infantil, mas, pelo que sei, carinho nunca é demais. Nem para criança nem para adulto. O que "estraga" a criança não é excesso de carinho... o que prejudica é falta de amor.

O que não pode faltar também, esse sim, é o limite necessário... mas esse não é papel dos avós!

domingo, 7 de setembro de 2008

Existem pessoas que amam demais?

Há pessoas que amam muito.
Não são pessoas que amam demais...
O amor nunca é demais!
O amor que se dá deveria ir e voltar.
Quem recebe amor deveria amar muito também.

Mas há pessoas que não sabem amar...
Há pessoas que não sabem receber amor!
São pessoas que, quanto mais recebem,
Mais elas querem receber.
São pessoas que, quanto mais são amadas,
Menos querem dar,
Menos querem amar.

O amor não nasce só na espontaneidade.
Amor nasce na intenção.
Nasce da vontade de amar.
O amor nasce na mente e no coração.

Eu diria, então,
Que não existem pessoas que amam demais.
Existem, sim, pessoas que não sabem ser amadas.
E existem outras pessoas que não sabem amar.
E ainda há aquelas que, mesmo sabendo, não querem amar.
Mas há, sim, aquelas que escolhem a pessoa errada para amar!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

UM ANO DE VIDA!

Hoje é dia de festa!

Este Blog está completando hoje, dia 02 de setembro, o seu primeiro ano de existência! É tempo de comemorar, mas também é tempo de avaliar!
A idéia deste blog começou a partir da minha experiência com grupos de terapia. Moreno, o criador do Psicodrama, trouxe ao campo da psicoterapia a possibilidade do compartilhar a si mesmo através da experiência em grupos. Iniciou com a arte: a arte cênica, o Teatro Espontâneo.

No Teatro Espontâneo, que acontecia em um auditório, encenavam-se as peças da vida. Não havia script pré-estabelecido. Havia uma atriz, a Bárbara, que sempre desempenhava papéis “ingênuos, heróicos e românticos”: o sonho de todo homem para sua esposa. Não demorou e encontrou quem por ela se apaixonasse. George, um poeta, assíduo freqüentador do Teatro Espontâneo, com ela se casou.

Tudo parecia que seria a realização de um sonho. Mas a convivência diária trouxe à tona a verdadeira personalidade de Bárbara, que não era nem tão meiga, nem tão angelical como parecera no Teatro Espontâneo. George então procurou Moreno para pedir-lhe ajuda. O que estava acontecendo? Sentia-se ludibriado, como quem "compra um produto" e, ao chegar em casa, descobre que foi vítima de propaganda enganosa.

Qualquer semelhança com as histórias que se vive até hoje não é mera coincidência. Uma das maiores buscas das pessoas é encontrar um parceiro com quem possa compartilhar sua vida em paz e harmonia. Mas a convivência do dia-a-dia encontra seus entraves nas histórias, hábitos, crenças e costumes que cada um leva para o casamento em sua bagagem.

Moreno, então, percebendo o que estava acontecendo, teve uma idéia: como diretor que era do Teatro Espontâneo, deu à Bárbara os papéis opostos ao que ela desempenhara até então. No palco Bárbara pôde viver sua própria personalidade: sua própria sombra, tendo oportunidade assim de integrá-la. Moreno, em sua obra PSICODRAMA, conta que Bárbara, ao se reconhecer nos papéis que representava, ria de si mesma. Em casa, o comportamento foi mudando e Bárbara assumiu o seu lado mais belo. Era o início do Teatro Terapêutico que deu origem ao Psicodrama e ao Sociodrama.

Com essa nova visão da psicoterapia, Moreno abre a possibilidade de, através da arte, trazer a cura. Na mesma obra, Moreno aponta para os caminhos futuros da psicoterapia, sugerindo a dança, a música, o cinema. Talvez, se vislumbrasse o que seria a WEB na atualidade, Moreno também teria sugerido a “BLOGTERAPIA”.

Foi assim que surgiu a idéia deste Blog. Proporcionar a um número ilimitado de pessoas o ver-se através da experiência compartilhada. Os temas inicialmente surgiram das questões trazidas e elaboradas pelos clientes na clínica psicológica. Nos grupos, após o aquecimento e a dramatização, há um momento de compartilhar as emoções vividas naquela seção e a elaboração do conteúdo vivenciado. A partir dos temas dessa elaboração surgiam as primeiras crônicas.

Imediatamente houve a reação dos leitores do Blog, tendo a oportunidade de elaborar melhor os seus conteúdos internos. A partir dos comentários que eram feitos tanto por escrito, no Blog, como no consultório, surgiam novas crônicas, num encadeamento de temas que aqueciam os processos de outros clientes também.

O universo dos leitores rapidamente foi crescendo, pois os próprios participantes desse processo, desejando compartilhar aqueles conteúdos com seus amigos, companheiros, filhos e demais pessoas envolvidas em sua vida, enviavam as crônicas para eles. A leitura das crônicas por essas pessoas facilitava a comunicação interpessoal. Podiam então falar a mesma linguagem, entender em conjunto o que estava acontecendo no relacionamento.

Hoje já não sei quantas pessoas lêem o Blog e as crônicas. A maioria não faz seus comentários por escrito, mas sempre que se encontram comigo comentam sobre seus conteúdos. Considero que a experiência está alcançando os objetivos propostos.

No início deste ano, desejosa de compartilhar as crônicas com pessoas que não acessam a internet, selecionei algumas crônicas e imprimi, para presenteá-las. Percebi então que praticamente já tinha um livro escrito. A partir dessa seleção inicial, e acrescentando crônicas inéditas, ainda não publicadas, formou-se o primeiro livro, que já está no prelo e em breve será publicado pela LGE Editora.

Neste primeiro ano de existência temos, portanto, muito a comemorar. O sucesso se faz pela participação de todos os leitores, principais incentivadores e alimentadores desse processo de grupo que extrapolou as paredes do consultório. Extrapolou os limites no tempo e no espaço. Realiza-se desta forma a proposta moreniana: "O nosso Encontro permanece a meta sem cadeias: o Lugar indeterminado, num tempo indeterminado, a palavra indeterminada para o Homem indeterminado".

Meu agradecimento aqui, em primeiro lugar, a Deus, que nos faz participantes de Sua criação através da criatividade com que nos presenteou! Aos meus pais, que, através dos livros a que tive acesso e das histórias que me contaram, ajudaram a desenvolver em mim o talento da expressão através da escrita. Aos meus filhos, que me ensinam mais do que eu os ensinei (inclusive as noções de informática que me possibilitaram utilizar a Web). Aos meus terapeutas, professores, supervisores e mestres, que me ajudaram a chegar até aqui e ser hoje quem sou. Aos amigos que me incentivaram a começar a escrever e a mostrar o que eu já escrevia. A todos os leitores que sempre manifestaram seu carinho e incentivo através de comentários escritos ou pessoais. A todas as pessoas que, através do nosso Encontro, me ajudaram a ser uma pessoa melhor!

A todos vocês, minha homenagem nesta data! A todos vocês, minha gratidão e meu afetuoso abraço!



Só temos a comemorar! Todos estão convidados para um brinde!
Sábado, dia 06 de setembro, a partir das 12 horas no restaurante Flor de Lótus, na 102 sul.
o Flor de Lótus é um restaurante natural com opção de peixes, no sistema de self-service a quilo. Aos sábados é servido um delicioso bacalhau! Cada um será responsável pelo seu consumo, mas o vinho será por nossa conta.
Venha brindar conosco!
Confirme sua presença até quinta à noite, pelo e-mail dcassis@gmail.com


Vale lembrar e publicar novamente a primeira postagem, onde
eu expunha o objetivo do Blog.

A idéia deste blog começou a partir da minha experiência com grupos de terapia.

O processo de psicoterapia em grupo é potencializado pelo compartilhamento entre seus membros das suas angústias, medos e dificuldades de relacionamento e no espelho que o grupo proporciona para a iluminação do caminho de cada pessoa. Ao compartilhar o seu processo, cada membro do grupo proporciona aos outros a oportunidade também de se ver, de encontrar as suas próprias soluções. A grande "mágica" dos grupos de terapia é que você pode "entrar mudo e sair calado", como tenho dito àquelas pessoas temerosas de participar de um grupo de terapia, mas com certeza sairá diferente.

Com o advento da tecnologia, dos novos tempos da web, podemos compartilhar idéias e experiências com internautas pelo mundo inteiro. O objetivo da criação deste blog é que, através do compartilhar de minhas reflexões, você, leitor possa também estar refletindo sobre sua própria existência, suas dificuldades, seus medos e angústias, elaborando e construindo novos caminhos.

Nosso encontro acontece no espaço virtual e atemporal, na medida em que para cada leitor o mesmo texto torna-se uma experiência única, pois só haverá significado real a partir das reflexões de suas próprias experiências.

É a minha contribuição, uma gota de água na construção de um mundo melhor.