quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

TRAINDO A TRADIÇÃO - Vivência Terapêutica

Vivência terapêutica baseada nas idéias apresentadas pelo Rabino Nilton Bonder, no livro “A Alma imoral”: para que haja evolução é necessário transgredir, ou seja, trair a tradição!

Tal qual Adão e Eva no Paraíso, ao nascermos não temos consciência do bem e do mal, do que é certo e errado. No relato de Gênesis, o homem e a mulher transgrediram a ordem de Deus, comendo o fruto proibido, e conscientizaram-se do bem e do mal. Da mesma forma, a criança, a partir de seu desejo de descobrir o mundo, vai aos poucos ousando, ultrapassando os limites impostos. Os pais reforçam positivamente os comportamentos aceitos e colocam limites nos comportamentos indesejados. Inicia-se o processo de formação da consciência pessoal.

Simbolicamente, a queda nos fala dessa passagem do estado de inconsciência para o estado de consciência. Deixamos o “Paraíso” de nossa infância, inocente, irresponsável (sem responsabilidades), para um mundo adulto. Esse processo muitas vezes não acontece adequadamente ou é realizado com uma grande carga de culpa.

A vivência “TRAINDO A TRADIÇÃO” propõe uma reflexão sobre esse processo, possibilitando uma retrospectiva pessoal das cenas em que a transgressão era necessária e, não tendo sido possibilitada, dificultou o processo de desenvolvimento pessoal. Através do psicodrama as cenas poderão ser revividas e psiquicamente transformadas, possibilitando a retomada do desenvolvimento pessoal e a transformação de padrões comportamentais de relacionamento com o outro e consigo mesmo.

Facilitadora: Dulcinéa Ramos Cassis – Psicóloga, CRP 01-3713. Psicodramatista e Analista Junguiana. Possui 25 anos de experiência como psicoterapeuta. Curriculo completo

Data: 29 de fevereiro das 19h30 às 22h

1º de março, das 09 às 12 horas e das 14 às 17 horas

Local: SCN Centro Empresarial Liberty Mall, Torre B, sala 205

Investimento: 2 parcelas de R$ 125,00 ou R$ 225,00 à vista.

VAGAS LIMITADAS

Inscrições: enviar ficha preenchida para o e-mail dcassis@gmail.com e cópia do depósito bancário em nome de CASSIS Consultoria e Desenvolvimento Humano. Banco do Brasil, Agência 3475-4, Conta Corrente 6735-0.

FICHA DE INSCRIÇÃO

(enviar para o local de realização do evento com o comprovante de depósito ou enviar os dados para o email dcassis@gmail.com)

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

NUDEZ

O corpo revela
O que os lábios não conseguem
Ou não querem dizer
Desnuda sonhos e desejos
Inconscientes, inconseqüentes.
As vestes de nada adiantam
São como cortinas transparentes
Num palco onde se apresenta
O drama de uma vida.

O texto acima, que não ouso chamar de poesia, escrevi há mais de 20 anos. Faz parte do meu caderno de “poesias”, que nunca tive coragem de mostrar à ninguém.

Quem não tem seu “caderno de poesias”, ou seus papéis soltos e improvisados, com inspirações momentâneas de cenas vividas e inesquecíveis?

Eu tinha os meus. Eram folhas arrancadas de cadernos de aulas enfadonhas e guardanapos de papel de bares onde eu estava no momento em que “bateu aquela inspiração”. Nunca os mostrava para ninguém. Um dia, organizei todos em um caderno florido, com caprichada caligrafia (ainda não existia computador pessoal). Mas, mesmo assim, continuaram lá, os meus escritos secretos, escondidos dos olhos alheios.

Eu os escondia porque não os achava bons o suficiente para divulgá-los. Eu os guardava, pois revelavam meus segredos, minha própria nudez. A dupla nudez: a simbólica, dos desejos não realizados, e a da qualidade dos meus escritos.

Lembrei dessa “poesia”, ao refletir sobre dois assuntos correntes nas últimas semanas. O primeiro é aquele tal Reality Show, o qual não assisto (e assim não desperdiço o meu tempo) . O segundo assunto é o belíssimo monólogo, encenado pela atriz Clarice Niskier, “A Alma Imoral”, baseado no livro de mesmo nome, de autoria do rabino Nilton Bonder[1]. Fui assistir à peça e fiquei fã tanto da atriz como do autor do livro.

Clarisse inicia a peça falando da nudez tratada pelo livro, e a representando através de seu próprio e literal desnudamento. Não a nudez de corpo esculpido (como as do programa televisivo, que faz com que suas telespectadoras se sintam horrorosas e os telespectadores comecem a achar suas belas companheiras “um lixo”). Mas a nudez do corpo de uma mulher madura, com todas as marcas do tempo e da vida.

Queremos nos mostrar sempre belos. Nossas qualidades são ressaltadas, nossos defeitos disfarçados. Não queremos mostrar a nossa própria natureza nem a nós mesmos, quanto mais ao outro.

Queremos nos esconder quando não gostamos de nós mesmos. Quando nos olhamos no espelho e nos assustamos com a realidade do que somos. Queremos esconder nossos aspectos sombrios e mostrar apenas os luminosos. Queremos esconder no fundo do baú os nossos atos e desejos que são condenados e reprimidos pela sociedade.

Queremos esconder o que não gostamos em nós, mas deixamos de revelar o que temos de mais sincero e profundo. O nosso verdadeiro EU e o que realmente somos.

A beleza não está no objeto desnudado, mas no próprio ato de desnudar-se. A grandeza de SER o que se É e não se envergonhar de ser assim.

Transpomos o muro da solidão através da verdadeira intimidade. E a intimidade exige o desnudamento.

Mostrar-nos tal como somos, para sermos aceitos e amados apesar do que somos!


[1] BONDER, N. A alma imoral: tradição e traição através dos tempos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O VERDADEIRO PARAÍSO


Amanheci na casa de campo! Abri a janela e olhei as montanhas que me elevaram o espírito e alimentaram a minha alma! O ar puro das montanhas encheu meus pulmões, renovando e purificando meu sangue, pulsando vida em todo o meu Ser!

O convite era antigo! O casal amigo, a Leda e o Prado, sogros da minha filha, aposentados, construíram essa casa dos sonhos, incrustada na montanha। Daqui se pode observar e contemplar o que há de mais belo na natureza। Eles passam parte de seu tempo assim। Eles têm parentes e amigos que moram perto, mas os filhos estão em Brasília, a mais de mil quilômetros !

Eu ficava pensando porque tem gente que se dá a esse “trabalho” de construir uma casa tão longe de casa, para ficar tão longe dos seus. Por que sair do conforto do apartamento, da segurança de estar onde se sabe tudo o que se tem? Por que ter trabalho e despesa de manter duas casas? Por que é que se busca tão longe, algo que eu não sei o que vêm buscar?

Eu pensava, pensava e não entendia o porquê. Eu não entendia o porquê é porque não tem porquê! São coisas da alma que busca na contemplação da beleza a sua origem na criação! Busca a lembrança esquecida do tempo que não tinha tempo nem hora, nem compromisso, nem porquês.

Do tempo que não tinha o “tem que”. Que não tinha o que fazer, porque o que precisava já estava ali: pronto para ser usufruído.

Essa é uma lembrança muito antiga que está registrada em nosso inconsciente mais profundo. Que se resgata quando a gente vê e contempla toda a beleza da criação.

Lembro da crônica do Rubem Alves, “Fazer Nada”, e da vontade que tenho de ficar assim, contemplando, sem fazer nada!

Lembro do salmista, que “eleva os olhos para o monte” e diz: “Os céus proclamam a Glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.

Não existem porquês!

Existe a alma que encontra na contemplação da simplicidade e beleza a recordação milenar daquele tempo em que tudo era harmonia entre o Homem, a Criação e o Criador!

O Verdadeiro Paraíso!


Aos amigos Leda e Prado, minha gratidão por esta oportunidade!