quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O "Fórum Pré-casamento" está esquentando....

Parece que a idéia do "Fórum pré-casamento" agradou. Já temos três comentários bem interessantes. Participe também!
Anônimo disse...

"Idéia interessante!!!
Bom, acho que o contrato deveria começar a estabelecer como deve funcionar as finanças do casal. Quem paga o quê e por quê.
Outra coisa importante: Educação dos filhos! Regras básicas que devem ser acordadas.
Um ponto fundamental: Quem reclama com a empregada! (se tiver a sorte de ter uma)".


30 de outubro de 2007 10h03


Participe opinando sobre esse primeiro comentário. Em sua opinião, é importante definir divisão de responsabilidade financeira? E o gerenciamento da prestação de serviços de terceiros? De quem seria a responsabilidade?

Neca disse...

"No dia do meu casamento, meu pai me chamou, com a Bíblia nas mãos e leu para mim a parábola da pérola de grande preço. É aquela onde Jesus diz que o Reino dos Céus é semelhante a um comerciante de pedras preciosas que encontra uma pérola de grande preço e vende tudo o que tem para comprá-la. Meu pai usou a parábola para dizer que, num casamento, devemos ter sempre em mente nossas prioridades. Lembro até hoje dele falando: "O que é mais importante, a toalha molhada em cima da cama ou viver em paz com o teu marido? Sempre que for possível, escolhe a paz. Poucas coisas valem uma briga, busca a pérola de grande preço e desiste das pedrinhas que, embora tenham valor, valem menos que a pérola".
Em matéria de contrato prévio, acho que realmente é um bom conselho para noivos e noivas, tenho certeza que meu pai e minha mãe viviam assim, os dois em busca da pérola de grande preço, que era viver em paz, apesar das diferenças.
Abraços,"


30 de outubro de 2007 15h11


E sobre a "pérola" de contribuição da Neca? O que você acha? O que estaria por trás das constantes reclamações comuns na vida de um casal?

Anônimo disse...

"Contrato de Ordenação de Bagunça.
Acredito que todos têm necessidade de uma certa bagunça. Coisas certinhas de mais são tensas. Mas como fazer com que a sua bagunça não incomode o outro e vice-versa? Parece impossível! A gente já é criado assim, com a mãe mandando arrumar o quarto, não deixar coisas jogadas na sala etc. No casamento sempre tem reclamações de bagunça: toalha, tampa de vaso, roupa suja fora do cesto etc. Toda casa tem seu jeito e suas regras sobre isso, então podia estar no contrato de casamento também. Mas é preciso refletir sobre os próprios costumes antes de criar regras a partir do padrão. Lá em casa, por exemplo, temos um certo acordo sobre isso. Não gostamos de reprimir nossos instintos de bagunça, mas conseguimos colocar uma certa ordem. A gente chega cansado e não tem a mínima vontade de guardar tudo no lugar bonitinho. A solução foi criar lugares de jogar as coisas. Colocamos um porta-chapéu logo na entrada para pendurar, bolsa, casaco e o que estiver na mão. Foi determinado que não haveria objetos em cima da cômoda pois esse é o lugar de tacar roupas que estamos com preguiça de colocar no armário. A primeira gaveta desta cômoda virou o cesto de roupa suja. Aí fica fácil: se for usar a roupa de novo, é só jogar em cima da cômoda, se não for usar, basta abrir a gaveta antes de jogar. Assim, não reprimimos nosso instinto de jogar as coisas e mantemos a casa em ordem."


30 de outubro de 2007 23h31


De forma criativa e flexível, esse casal resolveu o problema de arrumação da casa! Deixando o padrão de suas famílias de origem, criou o seu próprio jeito de viver em harmonia. Parabéns!

Meus comentários:

O primeiro comentário anônimo retrata a preocupação com três aspectos importantes. O aspecto financeiro reflete a disputa de poder na relação do casal e influencia diretamente a qualidade de vida da família. A administração de prestadores de serviços é outro aspecto que, se não for bem definido e delimitado, também interfere na vida de toda a família. É uma pessoa que está muito próxima (dentro de sua casa), troca afetos com a família, mas possui um vínculo empregatício. Grande desafio! E a questão da educação dos filhos reflete a qualidade do relacionamento do casal, influenciando o comportamento e desenvolvimento da criança em todos os seus aspectos.

Parabéns ao pai da Neca! Não tem sido tão comum o pai aconselhar a filha no dia do casamento. Um exemplo a ser seguido aos pais que ainda tem filhas solteiras (ou que já se casaram, pois sempre é tempo para aconselhar). O exemplo também pode ser estendido às mães para aconselharem seus filhos. É importante essa troca, pois é o olhar masculino para a mulher e o olhar feminino para o homem.

O terceiro comentário também cita a influência da família na formação, mas retrata um repensar do modelo vivido. Nem sempre o modelo dos pais é o ideal para o novo casal. Aprendemos com a experiência do outro, na medida em que temos a liberdade de optar. O conselho é dado, o modelo é apresentado, mas a análise crítica na visão dos filhos é que vai determinar sua opção de seguir ou não o caminho apresentado. Em outras palavras, é necessário ter coerência entre o que se faz e o que se fala.

Já tivemos comentários sobre finanças, educação de filhos, organização da casa, gerenciamento de serviços, harmonia do casal. E a sexualidade? Para estimular a discussão, fica a sugestão sobre o "problema da toalha molhada": deixar a toalha no banheiro... pode ser bastante estimulante... (ou não!). O que você acha?

Compartilhem também suas idéias e experiências!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Fórum sobre "pré-casamento"

No artigo "Antes prevenir do que remediar", a leitora Nélia registrou o seguinte comentário:

"Nelia disse...

Muito bom, e no decorrer da leitura pensei, pq vc não cria fórum pré-casamento (seja ele formal ou não)?? Pois aqueles conduzidos pelas instituições religiosas acabam contaminados pelas crenças e, neste espaço, isento, seriam debatidos os vários contratos que permeiam um casamento: emocional, físico, financeiro, social, etc...
Acho que seria extremamente útil a todos. Não discorrerei aqui as várias motivações que fazem pensar assim... mas deixo aqui a proposta."


Gostei da idéia! Obrigada, Nélia, pela sugestão!

ESTÁ CRIADO O FÓRUM!

Todos podem participar, escrevendo seus comentários nesta postagem. Basta clicar abaixo em "COMENTÁRIOS" e registrar. Se preferir, não é necessário se identificar. Basta marcar como "Anônimo".

A partir de suas experiências, felizes ou não, participem com sugestões!Quais são os ítens que deveriam constar nesse "Contrato de casamento"?

Aqueles que encontrarem dificuldade para fazer a postagem, podem enviar seu comentário para o meu e-mail dcassis@gmail.com.

sábado, 27 de outubro de 2007

"QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA..."

Rejeitados! Era assim que ambos sentiam-se após seu último contato. Ainda se gostavam. Mas separaram-se após calorosa discussão. Para um, não houvera motivo para aquele brusco rompimento. Para outro, fora a gota d'água, que rompeu o dique de uma longa espera. O marco final da expectativa (sempre verbalizada), de que o relacionamento se transformasse numa convivência de troca. Não só prazeres físicos, não só saídas e "ficadas", mas um compromisso mútuo de cúmplice convivência. A certeza de que, independente de qualquer situação, o outro estaria sempre lá. Independente de dias bons, mas, principalmente, estar juntos nos dias não tão bons. Tal qual o rito da união consagrada, "na felicidade ou na desventura, na riqueza ou na pobreza, enfermo e com saúde".

Para um, restava a impressão de que havia doado muito mais do que recebera. Para outro, a impressão era a de que doara mais do que conseguira, mas recebera menos do que gostaria. Para um, fora um casamento incompleto, para outro, um namoro aperfeiçoado. No calor da discussão, a verdade: "Eu sou completamente livre e você é completamente livre!". Fora o suficiente para entender que aqueles anos que passaram juntos não tiveram a importância e o compromisso que justificassem o investimento feito, não só de tempo, porém, de vida, de uma preciosa vida, que se escoava rapidamente.

Nos dias subseqüentes, em vão esperou-se um telefonema, um e-mail. Deixando o orgulho de lado, houvera uma tentativa de contato. Mas o outro se mantinha firme no propósito de afastar-se. Os dias passavam, arrastando-se na esperança frustrada de um reencontro. Mas não haveria retorno. Tal qual a morte física do ser amado, era difícil acreditar. Guardava-se a esperança de um repensar. Mas nada mais havia a fazer.

Há pessoas que se afastam pela violência física e há aqueles que rompem no limite da violência psicológica de mensagens paradoxais.

E se você, leitor(a), ao ler este texto, imaginou-se exposto pela revelação da íntima e sigilosa escuta terapêutica, saiba que esta não é apenas a sua história, mas é um exemplo comum das dificuldades do relacionamento interpessoal.


Propositalmente não utilizei pronomes no texto, com o objetivo consciente de confundir os personagens. Discussões dessa natureza se perdem nas mútuas projeções. Ao invés de perceber as próprias falhas e dificuldades, é mais fácil projetá-las e percebê-las como sendo do outro. Esse mecanismo é inconsciente. É uma das principais barreiras nas relações interpessoais.

É difícil admitir as próprias dificuldades. Desde cedo nos é incutido que dificuldades são defeitos. E defeitos, ninguém os quer. Defeito lembra algo “feio” (as palavras até se parecem). Prefiro usar o termo dificuldade. Defeito parece algo impossível de consertar. Utilizamos o termo, por exemplo, a respeito de objetos que compramos “com defeito” e queremos devolver.

Dificuldade, ao contrário, é um termo que remete a desafio, à possibilidade de crescimento, à opção de transformá-la em virtude. Visto dessa forma, é mais fácil aceitar que todas as pessoas estão “incompletas”, com a possibilidade de investirem em um processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento pessoal.

Admitir que todos possuem dificuldades não significa aceitar-se, e ao outro, “do jeito que se é”. É comum ouvir: “Eu sou assim mesmo!”, ou “Você já me conheceu assim”, ou ainda: “Você não tem jeito, mesmo”. Atitudes rígidas e rotuladas levam à cristalização de comportamentos indesejados e destrutivos das relações interpessoais. Ao contrário, a flexibilidade, a disponibilidade de ouvir, a auto-análise e a disposição para a mudança, são ferramentas essenciais para uma convivência agradável e de crescimento para todos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

“ANTES PREVENIR DO QUE REMEDIAR”

Recordo-me do tempo em que eu ainda assistia às novelas, particularmente de uma delas, intitulada "O Clone". Não me lembro bem do enredo, mas houve uma cena que me chamou a atenção. Uma personagem, interpretada pela Letícia Sabatela, casada nos costumes árabes, no meio de uma discussão lembrou ao marido: “Você precisa contratar uma empregada. No contrato de casamento estava escrito que teria uma empregada...”.

Achei fantástico! Como nós, mulheres ocidentais, estudadas, "evoluídas", conquistamos tantos espaços, mas nunca pensamos nisso? Estabelecemos nossos relacionamentos na base "do que achamos que o outro acha", no que já é convencional, e que "sempre é assim". Dessa forma, criam-se expectativas unilaterais não correspondidas. Envolvidos e embriagados pela paixão romântica, casais estabelecem laços irreais, utópicos, esquecendo-se de que no dia-a-dia existem tarefas para serem compartilhadas, ritmos de trabalho diferentes, dias em que “um está afim e o outro não”. Parecem pequenos detalhes, mas que, juntos, transformam-se numa grande barreira para o relacionamento do casal.

Fiquei imaginando, ao assistir àquele capítulo da novela, o que mais constaria daquele "Contrato". Como exercício, pensemos que o casal poderia detalhar alguns aspectos, tais como: estilo de moradia, divisão de tarefas caseiras, orçamento financeiro, organização da casa, compromisso de lazer em conjunto, liberdade de lazer em separado, estilos e preferências nas refeições e, finalmente, os concernentes ao sexo (quais as preferências e os limites?).

Pode parecer desnecessário, absurdo e até ridículo pensar dessa forma. Esse é apenas um exercício e não, necessariamente, ele precisaria ser “escrito, assinado e passado em cartório”. Também não há necessidade, nem deveria ser algo fechado. O segredo do planejamento é estar sempre sendo redirecionado e adaptado à realidade, através da comunicação franca e aberta.

Pode não parecer, mas pequenos detalhes são queixas freqüentes no consultório psicológico. Elas vão se acumulando, transformando-se em grandes problemas de relacionamento do casal. Passa a ser tabu conversar sobre determinados assuntos, interpretados como cobrança, como rejeição, como incompreensão... e por aí vai, complicando um relacionamento que começara tão romântico!

Cada qual cresceu numa família com seus costumes, seu jeito de ser, onde era natural que as coisas acontecessem de uma determinada forma. Cada um separa-se de sua família de origem com costumes arraigados e com o pensamento de que "esse é o jeito certo de ser". O problema é que "o jeito certo de ser" de uma família nem sempre é o "jeito certo de ser" de outra família. Dessa forma, ao formar uma nova família, não existe ainda nenhum "jeito certo de ser", ele terá que ser criado, inventado, adaptado à nova fase de vida, adaptado a um mundo em constantes mudanças, com (e sempre cada vez mais), exigências competitivas no campo profissional.

Um dos maiores vícios da comunicação é antecipar-se ao pensamento do outro. Ou seja, antes de se confirmar, já se tem por certa a opinião do outro. Esse, talvez, mais do que vício, seja um dos piores vírus da comunicação e do relacionamento. Chega sorrateiro, invade os espaços, contaminando e fazendo adoecer o relacionamento interpessoal. Mais fácil é prevenir do que remediar!

domingo, 21 de outubro de 2007

E O FLAMBOYANT FLORESCEU...



“A arvore que você plantou floriu pela primeira vez.”

Recebi o recado de um velho amigo, ex-vizinho. Eu nem me lembrava mais de que um dia plantara uma árvore por lá... Recordando, lembrei-me de algumas, a maioria era frutífera. Plantei duas jabuticabeiras, algumas mangueiras, laranjeiras, limoeiros. Vendi uma parte da chácara e a outra, sem nenhuma construção, deixei por lá...

Alguns dias antes, o mesmo vizinho me ligara, avisando que aquele pedaço de terra recebera uma visita: o fogo. O tempo estava seco, ele veio sorrateiro. Os vizinhos nada puderam fazer, a não ser salvar o seu próprio quinhão. Era uma terra abandonada. Quando menos se esperava, uma árvore, um Flamboyant, plantado há tantos anos, que nunca florira, amanheceu um dia todo em flor. Diante da terra queimada pelo fogo, após a primeira chuva da primavera (tal a fênix que renasce das cinzas), o Flamboyant floresceu. Cheio de flores, alegrou o vizinho, alegrou a todos os que por ali passavam.


Fui lá conferir. No caminho, lembrava-me do tempo em que iniciei aquele projeto. Seria uma "Pousada terapêutica". Um local onde as pessoas angustiadas, deprimidas e desiludidas, poderiam dar um tempo às suas vidas, um tempo para se recomporem. O projeto era nobre, mas construído de sonhos e ideais. Quando cai na realidade da dificuldade de operacionalizar um projeto de tal envergadura, desanimei e acabei desistindo. Desisti, sim, do projeto de construção literal de um espaço de acolhimento, de continência terapêutica. Por um tempo fiquei triste. Mesmo assim, plantei árvores! Por um tempo tentei vender a chácara. Até hoje não consegui... Mudei de caminhos, mas não de objetivos. E o Flamboyant florido me trouxe a resposta.


Eu o plantei na terra. Nunca mais tive dele notícia. Veio o fogo, veio o vento, veio a água. E um dia ele floriu. A vida tem trazido ao meu encontro pessoas angustiadas, deprimidas, desiludidas, tal as que eu queria alcançar inicialmente com o projeto da Pousada terapêutica. As pessoas chegam. Às vezes ficam algum tempo. Às vezes só por pouco tempo. Uma semente é lançada, uma muda é plantada. Colocada na terra, a semente já não nos pertence. Ela vai cumprir o seu destino. Vem o fogo da angústia, os ventos dos sonhos e ilusões e a água das lágrimas. Mesmo que não sejamos nós que a reguemos, que dela cuidemos, ela pode encontrar outro "cuidador", ou quem sabe até vingar sem cuidados... Mas a semente foi plantada. Umas vão cair em terra árida, outras na pedra, mas há aquelas que encontram a terra fofa, macia, quente, pronta para aconchegá-las e fazê-las crescer. Não é ao plantador que pertence o fruto. Tampouco ao que dela cuidou. O fruto pertence à própria árvore, e é ela que no tempo certo nos oferece sua sombra, a alegria de suas flores e o alimento de seus frutos. Nem sempre é a nós, semeadores, que compete continuar acompanhando-a. Mas resta a certeza de que em algum lugar por aí devem haver algumas árvores florindo e frutificando.

A lição do Flamboyant florido me faz refletir sobre a necessidade de nos desapegarmos dos resultados de nosso trabalho. A função do trabalho é a transformação da realidade. Ao tempo que colaboro com a transformação do Universo, recebo de volta a transformação de meu universo interno, pela satisfação de saber ser colaboradora de algo maior, indefinível. Transformando fora, transformo dentro... transformando dentro, transformo fora. E assim o ciclo virtuoso roda a roca que tece vidas, que gera amor, soprando o vento do Espírito transformador em cada pessoa, em cada família, nos grupos e em todos os espaços, internos e externos, do Universo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

"Sê espontâneo!"

"Deus é espontaneidade. Daí o mandamento: 'Sê espontâneo'."


Esta frase consta de uma das obras de J. L. Moreno, criador do Psicodrama, "The words of de Father" (As Palavras do Pai). Este livro foi escrito, tal o postulado, título deste artigo, espontaneamente. Num momento de inspiração, Moreno escreveu nas paredes [talvez por falta de algum papel?], uma de suas principais obras.

O tema Espontaneidade, classificado por Moreno como um fator de personalidade – assim como a inteligência e a memória –, permeia e principia a sua principal contribuição para o campo das psicoterapias: o Psicodrama.

O Psicodrama nasceu espontaneamente. Ainda enquanto estudava medicina em Viena, lá pelo início do século passado, Moreno fazia alguns trabalhos com os meninos que perambulavam pelas ruas, contando-lhes estórias que eram dramatizadas [sem saber disso eu percorri na minha adolescência um caminho parecido]. Foram os primeiros teatros espontâneos, que mais tarde ganharam uma estrutura. Era uma forma de teatro, sem script, onde os atores eram apenas orientados quanto às características de seus personagens.

Aconteceu que havia uma atriz, a Bárbara, que desempenhava sempre papéis de "moça boazinha, angelical" (tipo a nossa "namoradinha do Brasil", que agora já não é tão jovem...). O George, um rapaz freqüentador do Teatro Espontâneo, apaixonou-se pela Bárbara. Depois de um certo tempo, casaram-se. Para surpresa de George, a Bárbara, em casa, não tinha nada de "boazinha". Muito pelo contrário, demonstrou seu péssimo humor e agressividade, até então contida. O George, indignado e sentindo-se lesado (como se a Bárbara fosse um artigo comprado), achando que tinha levado gato por lebre, foi reclamar com Moreno (como se ele fosse o responsável pela propaganda enganosa). Moreno teve, então, a grande idéia de sua vida: ao invés de colocar a Bárbara para fazer papéis de "boazinha", deu-lhe papéis opostos: de megera, prostituta etc. Através daquelas personagens, Bárbara pôde canalizar toda a raiva que tinha reprimido. Para surpresa e satisfação de George, na vida "real" passou a ser a doce e meiga Bárbara, por quem ele se apaixonara. Moreno descobriu, assim, o Teatro Terapêutico que deu origem ao atual Psicodrama.


Hipoteticamente, se C. G. Jung fosse convidado para fazer o processamento daquelas primeiras sessões de psicodrama, ele teria dito que Bárbara pôde entrar em contato com a sua "sombra", passando a reconhecê-la e integrá-la à sua personalidade.


Eu comecei a falar da espontaneidade e, deixando que ela fluísse, escrevi um artigo sobre a criação do Psicodrama, enriquecido por uma correlação com Jung, algo sobre o qual nunca havia antes pensado.

A espontaneidade é assim: vem da alma... Quando nos permitimos deixá-la fluir, ela vem à tona e nos traz pedras preciosas que nos falam verdades eternas.

Foi assim com Moreno, foi assim com Jung, foi assim com poetas e pessoas comuns. Foi assim comigo no início deste Blog!

Mas, ao mesmo tempo temerosa e envaidecida pela repercussão do Blog, comecei a ficar preocupada. Passei a querer agradar o leitor, passei a ficar com medo do julgamento do outro, passei a querer escrever coisas "mais sérias", mais sistematizadas, e... bloqueei o meu fluxo de espontaneidade.

Tudo isso para explicar que, ao contrário do que escrevi esta semana, volto ao meu estilo inicial: espontâneo, sem preocupação, apenas compromissado com a espontaneidade de minha alma!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Os sonhos nossos de cada noite....

"Era gostoso nadar naquela piscina. Eu ia até um pouco mais fundo, voltava e me segurava em uma barra que havia na sua beirada. Não era uma piscina comum. Era uma piscina em um navio, em alto mar. A água da piscina era proveniente da vasta água do mar."

Essa cena aconteceu em um de meus sonhos. A piscina simbolizava o meu inconsciente pessoal, interligado ao mar, que simbolizaria o inconsciente coletivo. O sonho me falava, entre outros conteúdos, da minha satisfação em "nadar" pelos meus conteúdos mais profundos. É um sonho que retrata o próprio processo dos sonhos.

O sonho é um acesso ao nosso inconsciente enquanto dormimos. Pesquisas já comprovaram o seu efeito terapêutico. Normalmente o sonho acontece na fase REM do sono. Pesquisadores observaram que, acordadas durante essa fase do sono e, consequentemente, impedidas de continuarem sonhando, pessoas submetidas a essa experiência apresentavam-se irritadas durante o estado de vigília.

Mesmo que não nos lembremos, sonhamos todas as noites, e isso já é terapêutico. No entanto, quando conseguimos nos lembrar do sonho, esse efeito é potencializado. Escrever o sonho, contá-lo para outra pessoa também aumenta o seu efeito terapêutico, o que poderá culminar com a sua compreensão.É possível entender, a princípio, um sonho, e ir ampliando posteriormente o seu significado. A linguagem do sonho é simbólica, não linear, não cartesiana. Seus múltiplos significados simbólicos se superpõem.

É comum a pergunta: "Sonhei com 'tal coisa' O que isso significa?". Interpretar dessa forma um sonho seria reduzir o seu conteúdo, correndo-se o risco, inclusive, de distorcer totalmente o seu significado. Essa abordagem é comum em publicações questionáveis, como revistas populares.

O ideal para a compreensão dos sonhos é a sua análise com um profissional. A análise considera a história da pessoa, o processo de análise, o contexto e os acontecimentos mais recentes, entre outros fatores. Ela fornece elementos para a compreensão dos sonhos, uma importante fonte de auto-conhecimento e orientação para o caminho a ser seguido na vida, a partir de decisões orientadas pelo Si-mesmo. Com certo tempo de análise, o analisando passa a compreender de forma autônoma o significado de seus sonhos. Constitui um processo também de aprendizagem.

Mas, na impossibilidade de submeter-se ao processo terapêutico - no qual, através da escuta terapêutica e de métodos apropriados, pode-se desvendar parte do significado onírico e integrar o conteúdo inconsciente - há a possibilidade, pelo menos em parte, de potencializar o efeito terapêutico dos sonhos. Escrever os sonhos, fazendo com eles um diário, já é um bom começo....

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"NADA EM EXCESSO" *


Um homem caminhava por uma estrada, quando percebeu um outro homem caido. Como no tempo dessa história ele não tinha recebido nenhum e-mail dizendo do perigo de se tentar ajudar alguém caido na rua, ele parou e socorreu o homem ferido. Ficou sabendo que ele tinha sido assaltado. Felizmente, como naquele tempo também não existia armas de fogo, ele ainda estava vivo.

Como naquele tempo não existia mertiolate, nem gazes esterilizadas, ele simplesmente passou óleo em suas feridas (aliás, hoje já voltaram a usar óleo nas feridas novamente).

Como naquele tempo também não existia carro, muito menos ambulância do corpo de bombeiros, o homem "bom" deu uma carona para o homem ferido em seu animal. Naquele tempo não se sabia do perigo que é socorrer um ferido dessa forma.

Seguiram viagem. Chegaram já ao anoitecer na próxima cidade, onde passaram a noite em uma pousada. Como não tinha nenhum hospital por perto mantido por impostos para atender a todas as pessoas, o homem "bom" recomendou ao dono da pousada que cuidasse do ferido, deixando-lhe algum dinheiro.

O homem "bom" deve ter tomado tranqüilamente um saboroso café da manhã e continuado sua caminhada.

O personagem da parábola do Evangelho, chamado de Bom Samaritano não desviou o seu caminho para ajudar o outro. Ele continuou a sua caminhada, pois esse era o seu objetivo. Ele demonstrou que amava o próximo, mas, principalmente, amava a si mesmo.

Eu, como pago impostos para manter serviços de segurança e saúde pública, e sabendo do perigo que é, hoje em dia, tentar ajudar alguém "caido" na rua, prefiro exercitar a compaixão ligando para o 192.


* Famosa inscrição no Oráculo de Delfos: Meden Agan (Μηδεν Αγαν):"nada em excesso".

Gravura: Domenico Campagnola (1484-1550), pintor iItaliano.O Bom Samaritano, c. 1530, têmpera sobre painel, 62.9 x 86.4 cm. Lowe Art Museum, University of Miami.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Cada um carregue (somente) a sua “mochila”...


Apesar de considerá-lo um programa interessante, nunca fiz nem pretendo fazer o "Caminho de Santiago de Compostela”. Não tenho vontade de fazer a Jornada, simplesmente porque não me vejo andando tanto tempo com uma mochila nas costas. Mas, teoricamente, considero um programa interessante para quem deseja refletir sobre sua vida. Além dos aspectos da fé daqueles que o buscam, o "Caminho", ao tempo que proporciona a oportunidade de reflexão, obriga o peregrino a exercitar o seu corpo, evitando o risco de deprimir-se com o processo.

Hoje convido você para fazer uma experiência: Imagine que milhares de pessoas estão caminhando na mesma direção. Cada qual com sua mochila nas costas, contendo seus objetos pessoais. Imagine-se sendo um deles. Você vai caminhando e, olhando para o lado, percebe que a mochila de seu companheiro está muito pesada. O que você faria:

(a) Diria para ele lhe passar sua mochila, para você carregar as duas
(b) Ofereceria para carregar algumas coisas da mochila do outro
(c) Mostraria para ele a melhor forma de carregar a mochila
(d) Sugeriria para ele repensar a necessidade de carregar tanta coisa. Será que tudo seria mesmo necessário?

Pensou? Este é um teste onde não existe certo nem errado. Tudo é relativo, dependendo de cada situação. Mas, imagine agora que, ao invés de objetos pessoais, cada mochila contém: as tarefas, as responsabilidades, as preocupações, os sentimentos de culpa, os problemas de cada um. Qual seria, ou melhor, qual tem sido a sua atitude?

Este é um tema muito comum: Pessoas que carregam os problemas e as responsabilidades de outros. Os motivos que levam as pessoas a agirem dessa forma são muitos. A maioria deles revestidos do sentimento e desejo de mostrar-se como uma pessoa "boa", que "ama" o outro. Mas, na realidade, é mais um "quero parecer 'bom' para ser amado". E nessa busca, acaba-se complementando de forma não saudável o outro, pois, "já que fazem por mim, não preciso fazer por mim mesmo". Sem a oportunidade de assumir as próprias responsabilidades, o outro deixa de crescer e assumir a sua própria vida. Conseqüentemente, ao querer fazer pelo outro o que ele mesmo deveria fazer, eu impeço o seu crescimento, não lhe faço bem. Ou seja, querendo ser "bom", acabo sendo "mau". Não somente para o outro, mas também para mim mesmo, pois assim como carregar muito peso nas costas faz mal à coluna, carregar a responsabilidade do outro faz mal à alma, e adoece fisicamente também.

Estar com outro é diferente de fazer pelo outro, ou responsabilizar-se pelo outro.

Conheço pessoas que fizeram o Caminho de Santiago. Pelo que sei, é comum ao final do primeiro dia de caminhada elas reverem suas mochilas, avaliando e selecionando seu conteúdo. Esse, a meu ver, é o exercício mais importante de todo o processo: deixar para trás aquilo que você não precisa carregar.


FOTO DE MARCIO GAZIRO NO CAMINHO DE SANTIAGO. Endereço desta e de outras fotos do Caminho de Santiago

sábado, 6 de outubro de 2007

“TUDO AQUILO SOU EU MESMO” - Edith Piaf - Um Hino ao Amor

“Non, Je Ne Regrette Rien
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est égal”

[Não, Eu Não Lamento Nada
Não, nada de nada
Não, eu não lamento nada
Nem o bem que me fez
Nem a dor, tudo aquilo
Sou eu mesmo](1)

Com a canção Non, Je Ne Regrette Rien, Edith Piaf coroa sua carreira e sua vida. O filme PIAF – Um hino ao Amor, em pré-estréia esta semana, retrata o sofrimento e a glória da cantora francesa que teve sua vida marcada desde o início por atribulações.

Edith era filha de artistas de rua, sua mãe, cantora frustrada, abandonou-a com a avó materna para tentar carreira artística. Na época seu pai, contorcionista, havia sido convocado para a guerra. Na volta, vendo o estado lastimável da filha, leva-a à Normandia deixando-a aos cuidados da avó paterna, dona de um bordel. Edith foi adotada pelas pensionistas, que lhe deram o negado amor materno. Durante alguns anos de sua infância esteve cega, devido a uma ceratite. Sua cura é atribuída à Santa Teresa de Lisieux, cuja presença foi sentida pela cantora durante toda a sua vida. Era a mãe celeste que a protegia. Aos dez anos, novamente com o pai, que a incentiva a fazer "algo" para agradar o público da rua para ganhar trocados para sua sobrevivência, abre a boca e os pulmões entoando a Marselhesa, hino da Revolução e da França, e recebe os primeiros dos incontáveis aplausos de sua vida. (2)

Assistindo ao filme, não tenho como não voltar ao tema que mais tem surgido neste Blog, o princípio da Psicologia Arquetípica, estudada por analistas junguianos encabeçados por James Hillman: A nossa alma percorre um caminho na vida, muitas vezes de sofrimento. Desafiando as teorias psicológicas tradicionais, Hillman vê o outro lado da história onde todos os fatos contribuíram para a realização do seu propósito. Hillman cita em O código do Ser (3):

1)“Cada pessoa entra no mundo tendo sido chamada. A idéia vem de Platão, de seu 'Mito de Er' no final de sua obra mais conhecida, A República (...) A alma de cada um de nós recebe um daimon único, antes de nascer, que escolhe uma imagem ou padrão a ser vivido na terra. (...) precisamos prestar atenção na infância a fim de captar os primeiros sinais do daimon em ação, entender suas intenções e não bloqueá-lo. As demais sugestões práticas vem logo a seguir: a) reconhecer o chamado como o fato primordial da existência humana; b) alinhar a vida com esse chamado; c) ter o bom senso de perceber que acidentes, inclusive a dor no coração e os choques naturais que são herança da carne, pertencem ao padrão da imagem, lhe são necessários e ajudam a realizá-la"
2) Segundo Alfred Adler,em sua Teoria da Compensação, “desafios de doenças, defeitos de nascença, pobreza ou outras circunstâncias desfavoráveis na juventude estimulam as mais altas realizações. Todo mundo (...) compensa a fraqueza com a força, transformando deficiências em capacidade e controle".

O filme mostra uma Edith que seguia sua intuição. Ela "sabia" que seria uma grande cantora. Será que Edith Giovanna Gassion teria se tornado Edith Piaf, o pardalzinho da França, se tivesse nascido em berço de ouro, com pais que lhe dispensassem todo o cuidado e carinho?

Video de Edith Piaf cantando Non, Je Ne Regrette Rien


(1) Letra completa "Non, je ne regrette rien" (de Michel Vaucaire e Charles Dumont)
(2) Biografia de Edith Piaf
(3) Hillman, James. O Código do Ser: Uma busca do caráter e da vocação pessoal. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Veja Crítica do filme no Blog Café na Política

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A TRANSCENDÊNCIA DO FEMININO


Hoje faz 26 anos que me tornei mãe de uma Mulher!
Já tinha um filho. Através e com ele, pude viver a maternidade inicial, com as inseguranças de mãe de primeira viagem. Com seu desenvolvimento, tornando-se um Homem, desenvolvi em mim atributos antes desconhecidos e desejados. O filho homem espelha o animus introvertido. Como uma extensão do meu masculino, fertilizo a Terra através de suas ousadas e viris realizações.
Ser mãe de uma Mulher é igualmente divino, contudo diferente. O feminino em mim se multiplica e transcende. Espelha aquilo de mim que já sei, mas não via. E ao ver desabrochar tão linda flor, integro aquilo que de mim é tão belo, a extensão do meu amor!

Minha homenagem à Ednea

terça-feira, 2 de outubro de 2007

DECRETO ACABA COM INDECISÃO DE NAMORAR

De hoje em diante no DF ninguém pode "estar ficando" com outro. Por decreto, o Governador do Distrito Federal demitiu o gerúndio do DF e, por tabela, pôs fim na indecisão dos homens e mulheres, jovens e maduros, que ao invés de assumirem um namoro, prolongam a não tão nova modalidade de relacionamento que é o "ficar".

A princípio, "ficar" significava que numa festa, por exemplo, o casal, principalmente de adolescentes, se encontrava, trocava uns beijos e uns amassos e só. Os "ficantes" tinham o direito de "ficar" com outros na mesma festa, embora as meninas que "ficavam" com outro "ficante" já ficavam vistas como meninas "ficáveis" por todos. Os meninos ficavam vistos como os poderosos, admirados pelos amigos, que conseguiam "ficar" com mais meninas. Começaram a ter as competições de quem ficava com mais meninas por noite. As meninas não fizeram por menos, viraram o jogo e foram à luta. Passaram a ser "periguetes", disputando quem atraía e "pegava" mais meninos, os seus "peguetes". Intimidados, os meninos mais tímidos passam a "arrozar": Arroz é acompanhamento de prato principal, "arrozar" é ficar acompanhando, esperando a hora de conseguir ficar com a menina.

A meu ver, essa modalidade de relacionamento, sem compromisso, a princípio, é como uma brincadeira de aprender a namorar. Como no meu tempo, em que se brincava de "pera, uva ou maçã". Uma criança ficava de olhos fechados e outro ia dizendo: é esse? apontando sucessivamente. Até que, após a escolha com quem iria acontecer, se escolhia a modalidade: Pera, era abraço, maçã, beijo no rosto e uva beijo na boca, o que na época era apenas uma bitoquinha, o atual "selinho".

Até aí, enquanto o "ficar" era um exercício da aprendizagem de escolha, era inocente, e continua sendo para muitos adolescentes. A questão é que os "adultecentes" gostaram da brincadeira e passaram também a "ficar". Só que o "ficar" do "adultescente" não fica só na festinha ou na boate, ele se prolonga na noite e termina na cama. Aliás, termina mesmo na despedida, às vezes sem nem troca de telefone.

Aí começa a angústia das mulheres. Umas preferem nem dar mais o telefone, para evitar a angústia da expectativa frustrada de não receber nem um telefonema. Esse é um tipo de relacionamento, sexo casual. Como terapeuta, mantenho uma postura amoral, sem juízo de valor. É uma escolha pessoal de cada um, a forma de relacionamento afetivo e sexual.

Mas a situação a que me refiro hoje é diferente. A tal história de "ficar" virou "estar ficando". Ou seja, o casal de ficantes passa a se encontrar outras vezes, até que resolvem assumir que estão namorando. Decisão que para muitos até merece um ritual com a troca de alianças de prata na mão direita, a aliança de namoro. Aí surge um complicador: Muitos arrastam por muito tempo o "estar ficando", criando uma confusão na cabeça, principalmente da mulher: Quando o "estar ficando" passa a ser algo mais sério? Algumas já me disseram que é quando o homem tem coragem de ir com ela ao shopping, pois é um lugar público e ele perdeu o medo de ser visto acompanhado. Mas esse critério fica invalidado, pois muitos homens, mesmo querendo assumir um suposto namoro, compreensivelmente, detestam ir com mulheres aos shoppings. Homens me relatam surpresos que, ao pararem de chamar as suas, para eles "ficantes", para sair, elas se indignaram e queriam "discutir a relação". - Que relação? perguntam eles, nós não estamos namorando!

Bom, de hoje em diante, o Governador do Distrito Federal resolveu por decreto essa questão: É proibido usar o gerúndio! OU "FICA" OU NAMORA. NÃO PODE MAIS "ESTAR FICANDO".

Por hoje é só. E, se me permite o governador, eu vou ficando por aqui!

Dulcinéa Cassis