domingo, 30 de setembro de 2007

DEUS DOS SEM DEUSES

Dulcinea Cassis


Deus dos sem deuses

Deus do céu sem Deus

Deus dos ateus

Rogo a ti cem vezes

Respondes quem és?

Será Deus ou Deusa?

Que sexo terás?

Mostra teu dedo, tua língua tua face,

Deus dos sem deuses.

(Chico César )

Com estas palavras, o artista(1) expressa a crença daqueles que dizem não crer em Deus.

Os antigos olhavam para o céu, encantados com a beleza e o mistério do universo, adoravam o Sol e a Lua

No oriente médio, patriarcal, adoram o Pai,

Na negra África, do reflexo do céu no mar, surge a Mãe

No inverso oriente, percebem o lado inverso de Deus.

“Só existe uma Verdade, assim como as muitas águas refletem a mesma lua”(2)

“Disse Deus: façamos (nós) o homem à nossa imagem e semelhança”(3)

Múltiplas faces de um mesmo e único "DEUS"!


(1) Invocação, Chico Cesar, gravado por Maria Betânia

(2) Provérbio budista

(3) Gênesis

sábado, 29 de setembro de 2007

De Fernando Pessoa a James Hillman

Tenho citado no Blog o psicólogo junguiano James Hillman, autor de O CÓDIGO DO SER. Também gosto muito da obra de Fernando Pessoa. Navegando pela Web encontrei essa pérola de texto do Prof. Dr. Carlos Bernardi:


APRESENTANDO JAMES HILLMAN

Carlos Bernardi

Capítulo da dissertação de mestrado intitulada "Senso íntimo: Poética e Psicologia de Fernando Pessoa a James Hillman, defendida em 1995 na Universidade Federal Fluminense

"Igualmente difícil e apresentar a obra e a pessoa de James Hillman. Em primeiro lugar, é uma obra vastíssima que caminha nas mais variadas direções, escrita em vários estilos, com uma profusão de notas de rodapé, tudo com a intenção de fazer justiça à riqueza e pluralidade do psiquismo, e por um autor que confessadamente diz adorar escrever. Em segundo lugar, ele traz à tona formas e maneiras de se conceber o mundo e o homem que, de certa forma, são bastante estranhas ao pensamento atual, tentando, em suas palavras, recapiturar uma antiga direção."

Texto completo


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

RECEITA PARA MELHORAR O CORAÇÃO

Dulcinéa Cassis

Hoje encerrou a enquete iniciada há uma semana, sobre a linha de publicação deste Blog. A partir da sugestão enviada por um leitor, perguntamos ao nosso público se deveríamos continuar chamando à reflexão, abordando temas às vezes dolorosos, ou abordar temas mais leves. Por onze a zero, a opção vencedora foi a primeira.

O público optou por dar continuidade a atual abordagem, mais profunda, reflexiva, realista. A vida é feita de altos e baixos, alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, encontros e desencontros, casamentos e separações, nascimentos e mortes.

Logo no início da vida temos experiências de insatisfação, quando sentimos fome, e experiência de satisfação, ao sermos alimentados. Não somente a quantidade e qualidade do alimento, mas, principalmente a relação estabelecida e o clima que envolve aquele momento são fundamentais para que a criança estabeleça a consciência do que é estar satisfeito. A criança que não tem oportunidade de sentir fome, ou seja, sentir-se insatisfeita, não conseguirá entender, sentir o que é satisfação, e levará para a vida adiante a sensação de estar sempre insatisfeita.

Assim também, quem nunca passou por uma experiência de dor e sofrimento terá maior dificuldade de valorizar os seus momentos de prazer e alegria. Na percepção da possibilidade da finitude da vida é que valorizamos a própria vida.

No filme Três Irmãos de Sangue, documentário sobre a vida dos irmãos Betinho, Henfil e Chico Mario, o que mais me chamou a atenção foi a sede intensa de vida que os três irmãos possuiam, força que os impulsionava para viver intensamente, criar intensamente, mobilizar ações intensas em favor da Vida, justamente pela consciência da fragilidade de suas vidas. É na certeza da morte que a vida ganha significado. Comemoramos nossos aniversários, porque estamos vivos por mais um ano!

Portanto, não poderíamos deixar de abordar todos os temas que fazem parte da vida. Negar a dor e o sofrimento é negar a própria possibilidade de vida. O sofrimento elaborado é fonte de crescimento e renovação da Vida.

Vale lembrar a receita sábia do Rei Salomão: "Com a tristeza do rosto se faz melhor o coração" (Eclesiastes)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

COINCIDÊNCIA OU SINCRONICIDADE?

Dulcinéa Cassis

Na quinta feira passada, uma amiga, leitora do Blog, estava em seu consultório quando deparou-se com um livro de sua colega, que lhe chamou a atenção. Começou a ler e achou interessante. Ao chegar em casa, acessou a internet e lá estava a chamada para a postagem de quinta-feira:A CIRANDA DAS MULHERES SÁBIAS, o livro que ela tinha encontrado e lido no consultório. Coincidência ou sincronicidade?

No início do Blog, no dia 4 de setembro, escrevi pela manhã o artigo "A outra metade da laranja", aguardei um tempo pois, como ainda estava estreando nesse novo papel de escritora de Blog, ainda estava um pouco insegura. Fui para o consultório e o tema surgiu. Coincidência ou sincronicidade? Alguém pode alegar que neste caso houve interferência da subjetividade do terapeuta... mas cheguei em casa, abri meus e-mails e havia recebido de um amigo um pps do John Lenon, dizendo:"fizeram-nos acreditar que cada um de nós é uma metade da laranja..."

Certa vez, num grupo de terapia, uma das participantes faltou. Na semana seguinte, ela levou um sonho que tivera na semana anterior, no dia da terapia. Ao relatar, deixou o grupo boquiaberto: o sonho relatava a sessão da semana anterior, em que aquela pessoa não estava presente. Coincidência ou sincronicidade?

Em 1989, na madrugada da queda de Stroessner no Paraguai, antes que chegassem as notícias, eu tive um sonho em que apareceram as imagens que foram ao ar à noite, mostrando o sucessor desfilando em carro aberto. Coincidência ou sincronicidade?

Jung fala de sincronicidade, relatando um caso em que uma de suas pacientes, num momento crítico de sua análise, relatou um sonho em que recebia um escaravelho de ouro de presente. No momento do relato, Jung ouviu um ruido, como se alguma coisa batesse de leve na janela. Olhou e viu em besouro raro naquela região, tentando entrar. Jung relata que era a representação mais próxima do escaravelho de ouro, que é um símbolo clássico de renascimento.(1)

Jung define sincronicidade como a "simultaneidade de um estado psíquico com um ou vários acontecimentos que aparecem como paralelos significativos de um estado subjetivo momentâneo e, em certas circunstâncias, também vice-versa."(1)

O dicionário Junguiano define Sincronicidade como " a doutrina que na psicologia analítica junguiana admite uma correlação entre estados interiores e eventos exteriores e, portanto, um paralelismo temporal, espacial e de significado entre condição psíquica e evento físico."(2)

No caso do meu sonho, eu estava naquele momento resgatando conteúdos que haviam sido reprimidos. Simbolicamente eu estava depondo os "ditadores internos da minha psique".

No caso do sonho de minha cliente, ela foi a verdadeira protagonista da sessão em que esteve ausente, como pode ser constatado revivendo, no psicodrama, o seu sonho.

No caso de minha amiga, ela está vivendo a fase da maturidade e sabedoria da mulher.

No caso do artigo do Blog, publiquei imediatamente a postagem.

E você? tem casos de sincronicidade para relatar? Compartilhe conosco, registrando nos comentários!

(1) Jung , C.G.- Sincronicidade - Editora Vozes
(2) Pieri, Paolo Francesco - Dicionário Junguiano - ed. Vozes e Paulus -

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

VIDAS QUE SE ETERNIZAM

Os meus dois filhos, tem dois avôs,
O pai da mãe e o pai do pai.
O pai da mãe foi comunista.
O pai do pai foi militar.
O pai da mãe é poeta.
O pai do pai toca gaita.
O pai da mãe está fazendo 85 anos.
O pai do pai está na UTI.
O pai da mãe lutou toda a sua vida.
O pai do pai hoje luta entre a vida e a morte.

Vida e morte, morte e vida.
O significado da vida está na certeza da morte.
O sentido da morte está na Vida Eterna!
É preciso morrer para renascer.
É preciso renascer para viver!

E assim, o ciclo da vida permanece
Na herança das vidas que se entrelaçam
E se perpetuam na vida dos netos,
Luis Henrique e Ednea CASSIS FAGUNDES.

Minha homenagem aos dois patriarcas,
ADELINO CASSIS e EDGAR DA SILVA FAGUNDES
Vidas que se eternizam através da Luta e da Arte!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A CIRANDA DAS MULHERES SÁBIAS


Ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem
Com este título Clarissa Pinkola Estés, a mesma autora de "Mulheres que correm com os lobos", nos delicia em estilo poético com pérolas de sabedoria de uma mulher que já viveu sete décadas.

Clarissa nos conta histórias de sua convivência com as idosas de sua família, sobreviventes de campos de trabalho forçado na Segunda Guerra Mundial que, a partir do sofrimento, renascem e dançam, simbólica e literalmente, com todo o vigor e alegria. Mulheres sábias, jovens enquanto velhas.

Mais uma pérola de Clarissa é o livro O JARDINEIRO QUE TINHA FÉ, igualmente baseado em sua convivência na infância, mas neste caso, com um velho tio, também sobrevivente, que através de sua história de vida nos ensina que "aquilo que pareceu morto não estará morto, aquilo que pareceu perdido também não estará mais perdido, aquilo que alguns alegaram ser impossível tornou-se nitidamente possível, e a terra que está sem cultivo está apenas descansando - descansando à espera de que a semente venturosa chegue com o vento, com todas as bênçãos de Deus"

Mas não precisamos ir tão longe para conhecer pessoas jovens enquanto velhas, e velhas enquanto jovens, cheios de sabedoria, alegria e vigor. Aqui em Brasília, sob a batuta da Professora Dra. Marisete Peralta Safons, da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília, existe O Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Atividade Física para Idosos (GEPAFI), que oferece várias modalidades de exercícios físicos para pessoas a partir dos cinquenta anos.

Eu participo da Dança de Salão, dirigido pelo Prof. Ms. Márcio de Moura Pereira, "um velho enquanto jovem". É um grupo de alegres e dispostos "jovens enquanto velhos", homens e mulheres que dançam, brincam e se divertem enquanto estão cuidando de sua saúde de forma integral.

Coincidência ou sincronicidade, reencontrei o Marcio depois de muitos anos. Na década de 90, quando trabalhávamos no BRB, iniciamos um projeto de Tai-chi-chuan na empresa. Era uma novidade naquela época e acabou sendo abortado por falta de patrocínio. Mas, tal qual Clarissa nos conta em seus livros, da velha árvore cortada nasceram muitos brotos e da terra arada nasceu uma grande floresta.

GEPAFI
Atividades dos Programas de Atividade Física para Idosos no Centro Olímpico da UnB.
Musculação de Segunda a Sexta de 08h00 ás 10h00
Dança de Salão Segundas e Quartas de 10h00 ás 11h00
Ioga Terças e Quintas de 10h00 ás 11h00
Tai Chi Chuan Terças e Quintas de 08h00 ás 09h00
Telefone de contato: 3307-2698 Ramal: 261 Pela manhã
Participe!



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O PRAZER DA CERTEZA DO GANHO

A experiência do Blog tem sido muito interessante e gratificante!
Chegou-me preciosa contribuição de um amigo que mora distante, uma pessoa especial que se permite, de forma muito coerente, viver o que sugere. Publico abaixo sua sugestão e minha resposta, que acho importante compartilhar.

Uma sugestão: Por que Você não escreve sobre os seguintes temas:
O PRAZER DA CERTEZA DO GANHO
UMA COISA GOSTOSA DENTRO DE MIM
AMAI A TI COMO O PRÓXIMO
PERDOA-TE, ASSIM COMO EU TENHO ME PERDOADO
LUZ, CÂMARA, RE-AÇÃO
A OUTRA METADE DA LARANJA EXISTE. SOU EU.
EU ME AMO; O SENTIMENTO DE SER ACEITO.
Sei que para uma Psicóloga deve ser difícil abordar as coisas desses ângulos, logo de cara, mas acho que as terapias atuais devem ser mais "fast food", partindo da solução e não dos problemas.
Está na hora das pessoas celebrarem a vida - o maior milagre, e não a morte, nem a morte em vida.
O Sol é claro, quente, bonito e gostoso de sentir, porque é o Sol, e não porque apareceu da escuridão da noite.
Vamos falar só das coisas boas; elas existem.
BEM-ESTAR, NO LUGAR DA DOR. CERTEZA, NO LUGAR DO MEDO. GANHO, NO LUGAR DA PERDA.
E vamos ver como essa vida é MARAVILHOSA.
Querido amigo,
Obrigada pelas suas observações!
Concordo com você que devemos ter sempre o lado otimista. Eu mesma muitas vezes sou chamada de "Pollyanna", pois sempre vejo o lado positivo, qualquer que seja a situação.
A proposta do Blog, no entanto, foi ampliar o seting terapêutico e os temas tem surgido a partir dos processos terapêuticos. Minha proposta foi exatamente fugir dos modelos de literatura de auto-ajuda, onde se sugere que as pessoas incluam pensamentos positivos em sua vida, sem contudo trazerem à tona o que está fazendo doer a sua alma.

Um mestre zen foi procurado por um discípulo que buscava crescimento pessoal. O mestre convidou-o para tomar chá. Ao servir o chá, após a xícara estar cheia, o mestre continuou servindo. O discípulo atento fala: - mestre, a xícara já está cheia, o chá está derramando.... Ao que o mestre responde: - Assim também você deve primeiro esvaziar sua xícara de tudo o que não lhe serve, para depois colocar os novos ensinamentos.

Existem muitas propostas de terapias fast-food. Elas tem sua aplicabilidade em momentos específicos da vida. Mas o verdadeiro processo de transformação pessoal na minha experiência acontece a partir da reflexão profunda. Não dá, por exemplo, para uma pessoa que está sofrendo, simplesmente falar que ela deve olhar o lado bom da vida. Você pode falar, mas ela não consegue absorver. Isso pode e deve ser falado sim, mas precisamos também ouvi-la, solidarizar-se primeiro com o seu sofrimento. Ir lá no espaço escuro onde ela se encontra para segurar sua mão e traze-la para a luz.

Se você está lendo os artigos até o final, deve estar percebendo que a chamada traduz a emoção de dor, dúvida ou sofrimento, mas no decorrer do artigo, as reflexões se propoem a ajudar o leitor a elaborar seus conteúdos e o final do artigo sempre traz o lado positivo, de esperança.

Achei muito importante suas observações. Elas devem estar refletindo o pensamento de uma parcela importante dos leitores. Essa posição pode às vezes estar refletindo um desejo de não entrar em contato com conteúdos dolorosos. Neste caso, recomendo que respeite sua posição, assim como eu entendo e respeito, e nem entre no Blog. Nem todas as pessoas desejam ou necessitam aprofundar-se em suas reflexões.

Para terminar, lembro as palavras de Fernando Pessoa: "Quem quiser passar além do Bojador, tem que passar pela dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele refletiu o céu!"

Meu afetuoso abraço,
Dulcinéa




A dor do medo da perda

O que dói mais? A dor da perda ou a dor do medo da perda?

Só quem já perdeu um ente querido pode responder a essa pergunta. Mesmo assim haverá respostas diferentes. Cada pessoa, de acordo com suas histórias passadas, de vida e de morte, pode avaliar como é para si esse sentimento.

Não posso falar por todos, mas posso falar dos meus sentimentos. Cresci em Brasília, longe de tios e avós. Aqui só temos nosso núcleo familiar, meus pais, irmãos e nossos filhos, a terceira geração. Portanto não tive a oportunidade de viver de perto a morte de avós e tios. Considero que esta é uma importante vivência na vida.

Lembro-me da minha cidade natal, Catanduva, no interior de São Paulo, onde passava as férias quando criança. Lá a morte tem seu ritual. Não sei hoje em dia, mas quando criança, meus avós moravam na rua do cemitério e o cortejo fúnebre passava pela rua. O morto era velado em casa e todos os amigos faziam com ele aquela última caminhada. Na entrada do cemitério, as palavras: "Fomos o que és, serás o que somos". A frase lembra grande verdade. A única certeza que temos nesta vida, é a nossa finitude, lembrada a cada ritual. Independente da crença que temos pós morte, esta é e sempre será uma verdade.

Quando trabalhava no setor psico-social do BRB, uma de minhas atribuições era prestar assistência aos servidores em caso de luto. Como eu não sabia muito bem como fazer isso, até pela minha inexperiência naquela época a respeito da morte, eu preferia ir ao velório, abraçar a pessoa, sem dizer nada. Eu estava ali, naquele momento, não só para prestar apoio, mas principalmente, preparava-me para a morte: minha, das pessoas que se foram, e das que ainda irão.

Naquela época ficava imaginando como seria para mim a hora que meus queridos partissem, e já chorava por antecipação pelo medo de suas mortes. Esse dia chegou quando meu irmão mais velho teve um enfarte, vindo a falecer uma semana depois. Eu sobrevivi! O medo da dor da morte, para mim, foi maior que a dor da morte.

Falei disso para o meu terapeuta, meu velho Moacir, e ele me disse: - "Eu tinha uma tia que me contou: - Eu pensava que quando as pessoas que eu amo morressem eu também morreria. Mas eles morreram e eu não morri".

Somos todos sobreviventes da vida e da morte. Guardamos dentro de nós nossos mortos, que permanecem vivos através da herança e da esperança de vida que vive dentro de cada um de nós.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

OVIDIO e a Arte de Amar

Dulcinéa Cassis

Coincidência ou sincronicidade, chegam-me algumas histórias de amores antigos que se realizam. São casais que na adolescência viveram as emoções do amor juvenil com timidez e desajeitos, olhares, suspiros e fantasias que se esvaziaram na incerteza de serem correspondidos. Adultos, depois de muitas histórias vividas, começos e reçomeços, encontros e desencontros, acabam se esbarrando na vida (alguns na internet). Amadurecidos, conseguem agora conversar sobre os tênues sentimentos de então. Descobrem que ambos se gostavam mas pensavam que não eram correspondidos.

Homens e mulheres tímidos procuram na psicoterapia uma forma de se desinibirem e se abrirem para o amor. Ela, educada ao recato, não se atreve demonstrar seu interesse. Ele, inseguro não consegue se aproximar.

Outro dia, numa banca de revista, encontrei um livreto de bolso, A Arte de Amar de Ovídio.
A Arte de Amar ("Ars Amatoria") tem como tema a arte da sedução. Os primeiros dois volumes da série, escritos há dois mil anos atrás falam 'sobre conquistar os corações das mulheres' e 'como manter a amada', respectivamente. O terceiro livro é dirigido às mulheres ensinando-as como atrair os homens. (Wikipédia).

Fiquei impressionada com a atualidade de certos trechos. Tal como o milenar Livro A Arte da Guerra de Sun Tzu, que contextualizado, tem servido de exemplo para estratégias empresariais, A arte de Amar traz interessantes conselhos para homens e mulheres que desejam se esmerar nessa Arte.

Para saber mais: http://www.lpm.com.br/lpm-po248.htm

domingo, 16 de setembro de 2007

Um vazio dentro de mim....

Dulcinea Cassis

Parece, disse ela, que ficou um vazio dentro de mim.... falava-me do sentimento pós separação.

Depois de tantos anos de convivência, almoçar juntos, conversar, dormir juntinhos abraçados, falar de tristezas, abrir seu próprio eu, contar piadas, contar gracinhas dos filhos e falar mal da vizinha.... Falar do preço que subiu, do desaforo que ouviu, que faz tempo que não chove, quem é que aguenta esse deserto? E o marido da amiga, você viu? Ela descobriu que tinha outra....

Ele ouvia tudo calado. Era seu jeito assim. Sempre calado, escutando, e ela pensava que estava conversando. Enquanto ela falava, seu pensamento ia longe... lembrava do relatório que não tinha feito no trabalho, da ameaça de perder a função, das metas que não tinha alcançado, do infarte do seu colega, do jogo de futebol.

Você ouviu o que eu estava falando??? Ela agora falava alto, quase gritando..
- Ah!!! o que foi?
- Eu falava que o marido da fulana arrumou outra... logo ela que sempre foi tão dedicada, sempre fez tudo por ele, nunca deixou nada faltar.....as palavras dela foram sumindo no espaço novamente.
Agora ele prestou atenção. Sim, ficou pensando porque seria que o marido da fulana tinha arranjado outra....

Parece, muitas vezes, que existe um abismo entre pessoas que vivem juntas há tanto tempo. Vão se acostumando à rotina, às mesmices, às falas solitárias e escutas mudas. Quando se percebem, parecem que já moram em países diferentes, falam idiomas diferentes, suas realidades são completamente diferentes.

Lembro-me da fala de um antigo pastor de uma igreja presbiteriana, que dizia, com seu jeito engraçado de falar: "O casal, à mesa, não tem que sentar um na frente do outro, tem que sentar um ao lado do outro, que é para não olharem um para o outro, mas ambos olharem para o mesmo lugar."

Lembro-me também da fala de um terapeuta de casal, que dizia: "É importante para o casal ter alguma coisa em comum, um objetivo comum. Por um tempo pode ser os filhos, mas e quando os filhos vão embora?"

Lembro-me de um amigo que dizia: "mesmo que o casal não goste totalmente das mesmas coisas, é preciso aprender gostar um pouco do que o outro gosta. Se ele gosta muito de futebol, é importante que ao menos uma vez na vida ela vá com ele ao estádio assistir a uma partida, e mesmo que ele deteste cinema, é importante que ele vá com ela assistir os filmes que ela gosta."

Uma receita de vida, palavras da mesma sabedoria, em três abordagens diferentes!

sábado, 15 de setembro de 2007

ADOraveisCENTES!!!

Dulcinea Cassis

Parece mesmo que o artigo "Ninguém me ama..." tem suscitado muitos comentários. Transcrevo abaixo a contribuição da Yara, minha professora de canto:
yara disse...

Puxa Dulce, esse assunto é muito comum nas nossas vidas. Eu tenho um caso bem pertinho de mim. Só um detalhe importante, é uma mocinha de 12 aninhos. E Ela é confusa mesmo nos seus sentimentos, melancólica que só! Você bem que podia me dar umas dicas. Parabéns pelo BLOG, muito bom e muito útil. Beijinho!!!!!

Vou tentar jogar alguma luz sobre esse assunto, já que não sou especialista em adolescentes. Mas, se bem me lembro das proveitosas palavras do mestre Içami Tiba, http://www.tiba.com.br, no curso de formação em Psicodrama, a adolescência é um período onde há uma oportunidade de reparações do desenvolvimento psico-emocional. No caso sobre o sentimento de não ser amado o suficiente, como o artigo anterior aponta, é uma nova oportunidade de "rematrização", de propiciar as condições necessárias para se estabelecer vínculos afetivos saudáveis.

A questão é que o adolescente nem sempre verbaliza seus sentimentos, mas demonstra através de seu comportamento. Muitos comportamentos demonstram que, de forma saudável, o adolescente está se diferenciando dos pais, ou seja, fazem diferente do que lhes foi ensinado, o que à vezes incomoda os pais. Mas há também sintomas de que algo não vai bem. Os pais atentos percebem essas mudanças. Mas como "traduzi-las"? Como saber o que está acontecendo? Como fazer para ajudar o adolescente nessa confusão de sentimentos?

Yara, você pede dicas, mas cada caso é um caso. Se existe uma receita pronta para educação, me diga qual é.... que eu também não conheço. Educação é arte, é criação de respostas e comportamentos a partir do que está acontecendo, não dá para fornecer "dicas", mas se existe algo que possa ajudar em toda e qualquer situação é: COMUNICAÇÃO!

Comunicação é uma via de mão dupla que envolve não só palavras, mas também mensagens não verbais. O fato de uma pessoa ficar calada já é uma comunicação, pode ser "eu não quero conversar", ou "quero saber se você me percebe, mesmo que eu não chame sua atenção" ou .... quem vai saber? Comunicação também é arte, é aprendizagem no dia-a-dia, na convivência diária.

Mas uma coisa é certa: Para se comunicar é preciso TEMPO. É preciso investir tempo para conversar, mesmo que seja a caminho da escola, na hora das refeições ou durante uma caminhada. Um hábito muito comum é criar os filhos "em bloco". Todos estão sempre juntos, mesmo que em momentos saudáveis, de alegria da família. O que muitas vezes se esquece é de separar um tempinho exclusivo para cada filho. Cada um tem necessidades diferentes, de acordo com sua idade e interesses. Penso que nada mais injusto é tratar da mesma forma todos os filhos, que na realidade são diferentes e tem necessidades e interesses diferentes.

Para terminar Yara, educar é que nem aprender a cantar: não dá para aprender na teoria, precisa de tempo, precisa sensibilidade, precisa ouvir, precisa se afinar.....

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

"amai o próximo como outro ti mesmo"...

Dulcinea Cassis

Comentando o artigo "Ninguém me ama..." JK traz a contribuição:" Ouvi em um treinamento recente que há um pequeno equívoco de tradução no mandamento "amai ao próximo como a ti mesmo"; de fato acho mais justo atribuir a uma interpretação distinta, também cabível, até porque da sua sutileza. Disse o professor que o correto teria sido traduzir assim: "amai o próximo como outro ti mesmo". Embora sutil, colocar dessa maneira quase que imediatamente lança o receptor em uma projeção de si mesmo no outro, estabelecendo que "empatia" seja a palavra-chave. E é uma verdadeira aventura lançar-se em uma viagem dessas, desde que você realmente esteja disposto a pagar o preço de uma entrega dessa envergadura, ainda que reserve esse jeito de amar a uns poucos privilegiados à sua volta. " Obrigada, JK, pela sua contribuição. A partir dela é que elaboro a reflexão de hoje.


J.L. Moreno, criador do Psicodrama, desenvolveu o conceito de Tele. Explicando de forma genérica, Tele é a capacidade mútua de percepção real do outro, por ambas as partes, simultaneamente: "Eu o percebo tal como VOCÊ é, e VOCÊ me percebe tal qual EU sou. E VOCÊ percebe que EU o percebo e EU percebo que VOCÊ me percebe". Há quem julgue ser utópico tal proposta de uma percepção tão perfeita, completa e verdadeira. Mas independente disso, o fato é que, quanto mais télica é a relação, mais saudável ela se apresenta. Ou seja, quanto mais duas pessoas conseguem se perceber mutuamente tal como são, sem projeções e transferências, mais saudável se torna o relacionamento.



Cabe aqui explicar um pouco, também de forma genérica, os conceitos de projeção e transferência. Peço licença aos colegas para, de forma simplificada, dado que esse é o objetivo deste blog, tentar explicar esses conceitos tão profundamente estudados. Dizemos que há uma projeção, quando, ao invés de perceber o OUTRO, eu projeto meu próprio EU, e uma transferência quando se projeta no OUTRO figuras significativas, pai e mãe. Ambos são fenômenos muito comuns. No primeiro, é comum acusar o outro pelas próprias falhas e no segundo, é comum projetar no outro os sentimentos que sente pelos genitores. Vale ressaltar que esses processos são inconscientes, ou seja, a pessoa não percebe que isso está acontecendo.


Voltando ao conceito de tele, e à observação de JK, poderíamos explicar a tele como uma empatia de mão dupla. Quanto à referência à passagem do Evangelho sobre o amor ao próximo, tenho a ressaltar o seguinte: É comum pessoas, a partir desse mandamento e dos seus mandados internos, conscientes e inconscientes, fazerem pelo outro, mais do que por si mesmos. É, por exemplo, o caso da mulher que deixa de cuidar de si mesma para priorizar filhos e marido. Ou o caso do homem que paga a conta da mesa do bar e não consegue pagar as contas de casa. Poderíamos citar muitos casos, mas deixo para cada um analisar se este é o seu caso, e de que forma esse "excesso de amor" se manifesta. Citei com aspas, porque é preciso fazer uma análise mais aprofundada sobre esse comportamento. Será que realmente é AMOR? O que acontece se uma mãe não cuida de si mesmo? Será que é possível cuidar adequadamente do outro? Um bom exemplo é o das instruções de segurança dos vôos onde é ressaltado que "em caso de despressurização, coloque a máscara primeiro em si, depois na criança que estiver ao seu lado", pois se o adulto passar mal, não poderá cuidar da criança.

De qualquer forma, vale ressaltar que nem Jesus Cristo mandou fazermos pelo outro mais do que fazemos por nós, pois o mandamento diz "COMO a ti mesmo" (ou como outro ti mesmo). Não menos, mas também não MAIS do que a si mesmo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

"Perdoai-me, assim como EU tenho me perdoado..."

Dulcinea Cassis

De um lado estão aqueles que não reconhecem seus atos contra a sociedade, contra a moral e os bons costumes. De outro estão aqueles que excessivamente assumem sua "culpa", muitas vezes mais um sentimento, ou seja, um falso sentimento de culpa.

São pessoas que não se permitem usufruir conforto, alegrias, relacionamentos gratificantes. Não se permitem parar para descansar, ouvir uma música sem "fazer nada", jogar conversa fora, ir ao cinema, caminhar na praia, catar conchinhas, roubar uma flor, ouvir os pássaros, nadar no rio, banhar na cachoeira. Acordar tarde e não arrumar a cama, andar descalço e de roupa velha, sem ter que dar satisfação pra ninguém....
Não se permitem sentir o corpo, experimentar novas sensações, entregar-se ao prazer sexual.

Lá dentro, escondido em "seu baú" de coisas velhas guardadas ao longo da vida, estão cenas de vida, falas que ecoam nos ouvidos e na alma: "tira a mão daí, menina", "que coisa feia!", "preguiçoso, vai fazer seu dever", "desse jeito você vai ficar doente", "você não merece o que faço por você...", "isso é pecado", "o que os outros vão pensar?", "isso é perda de tempo", "tá muito assanhada", "a culpa foi sua"... e tantas outras.

A criança que existe dentro de você ainda guarda esses mandados, escondidinha, assustada, esperando o furacão passar. Pega ela no colo, abrace-a e vai dizendo carinhosamente o que só VOCÊ sabe o que ela precisa ouvir.

"Luz, câmera, ação" - Já vimos esse filme antes...

Dulcinéa Cassis

O protagonista de hoje é o Renan! Como numa cena de psicodrama, tomando distância, lembramos de cenas anteriores na História. A política recente está recheada delas....

O jornalista FC Leite filho, no seu Blog lembra o caso Clinton, fazendo interessante análise de seu perfil psicológico http://www.cafenapolitica.blog.br/blog/ .
Na Bíblia temos o caso de Davi e Betseba.
Na Mitologia Grega temos Zeus.

Histórias como esta povoam o inconsciente da humanidade, o Inconsciente Coletivo. Todos nós temos a nossa Sombra, um dos arquétipos, identificados por Jung. "O termo sombra se refere à parte da personalidade que foi reprimida por causa dos padrões que modelam a personalidade consciente, frutos da sociedade, da família, dos grupos com os quais se convive ou a regras religiosas"(1).

Quando negamos a nossa sombra, ou seja, achamos que nós somos pessoas irrepreensíveis, a sombra "puxa o nosso tapete" e cometemos atos que conscientemente condenamos. Entrando em contato com ela, podemos integrá-la à nossa personalidade, caminhando rumo à Individuação (2).

Paradoxalmente, quanto mais reconhecemos o nosso lado sombrio, mais caminhamos para iluminarmos nossa existência. Ao contrário, inflando nosso ego, considerando-nos pessoas livres de cometer atos ilícitos, corremos o risco de praticá-los. Isso pode explicar fatos recentes do cenário político, que decepcionaram o povo brasileiro.

Mas, como o objetivo deste blog é promover a reflexão pessoal, deixemos de lado o "outro" e nos voltemos para a nossa análise pessoal, reconhecendo a nossa própria sombra, em nosso dia-a-dia, em nossos desejos ocultos, conscientes e inconscientes. Se estamos constantemente nos "decepcionando" com a atitude do outro, é sinal que não identificamos em nós mesmos o nosso lado sombrio. Caímos na ilusão de que nós, e todas as outras pessoas temos somente o lado bom, puro e cheio de boas intenções, e acabamos ingenuamente fazendo "papel de bobo" na vida.....


(1) Jonh A. Sanford - MAL, o lado sombrio da realidade - Editora Paulus
(2) Individuação - "Conceito central da psicologia analítica com o qual se entende genericamente o devir da personalidade, e em particular o processo de transformação contínua de uma individualidade que vem psiquicamente a constituir-se em referência a uma substância comum ou coletiva. A questão psicológica que a individuação propõe diz respeito a como se tenha constituído este homem e contemporaneamente este mundo (interno e externo) e, ao mesmo tempo, como se constituiram os seus signos" Dicionário Junguiano - Editora Vozes e Paulus

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Sobre "Fazer terapia"....

O Blog completou ontem uma semana. Tem sido uma experiência muito gratificante, na medida em que as pessoas que lêem refletem sobre sua própria vida e seu processo de desenvolvimento pessoal. A proposta do blog é um processo de retroalimentação, e isso acontece na medida que o retorno, através dos comentários, inspiram outros artigos.
Recebi um e-mail, que transcrevo alguns trechos, para socializar sua resposta, pela importância do tema colocado.

Leitora:"Gostei muito!"

Dulcinéa: Fico feliz!

Leitora: "Fiquei bastante mexida com os assuntos tratados (... ) Sempre me lembro que um momento muito importante pra mim foi quando comecei a trabalhar minha individuação, no relacionamento com minha mãe, na terapia. Como foi importante!
Hoje, encontro-me em outros momentos da minha individuação e de fato, sinto falta da terapia. Ainda não consegui me organizar financeiramente pra voltar. Mas tenho muita vontade, e mais do que vontade, necessidade de voltar! (...) Os textos tem me ajudado!"

Dulcinéa: a intenção do blog é essa mesma, possibilitar a reflexão, mesmo sem estar presente no setting físico terapêutico, mas ampliar esse espaço virtualmente. A psicoterapia é um espaço de acolhimento, escuta e elaboração desses conteúdos, e deve ser conduzido por profissionais preparados e credenciados para o exercício da profissão. A proposta do blog não é substituir a psicoterapia, mas promover reflexões. No caso de dificuldades financeiras, as instituições formadoras oferecem o serviço de psicoterapia aberta à comunidade por preços acessíveis, ou gratuitamente àquelas pessoas que realmente não possuem condições de pagar. O que, aliás, deveria ser oferecido pelas instituições públicas de saúde. Se isso não acontece, não é por falta de profissionais formados no mercado, mas por falta de políticas públicas que priorizem à assistência integral à saúde. Uma oportunidade de submeter-se à psicoterapia com um profissional experiente por um preço acessível é a Psicoterapia em grupo. Algumas pessoas tem resistência inicial ao grupo de terapia, mas, ao ser inserido em um grupo bem conduzido, onde há contrato de sigilo entre todos os seus membros, perdem o medo inicial e percebem a experiência como extremamente enriquecedora, pois possibilita o compartilhar dificuldades comuns a todo ser humano. Uma outra forma de trabalhar-se também é através de seus próprios sonhos e o processo de Imaginação Ativa. Uma leitura recomendada para ajudar nesse processo é o livro "Imaginação Ativa" de Robert A. Johnson (antigo "A chave do Reino Interior"). Mesmo assim, é um processo que requer alguns cuidados, recomendados no próprio livro. De qualquer forma, vale também compartilhar suas reflexões com alguém maduro, e de sua confiança, não para obter "conselhos" nem "interpretações", mas apenas para ser ouvido. Por último, cabe também fazer uma reflexão, se a falta de condições financeiras, não é uma forma de manifestação da resistência ao processo de psicoterapia. Psicoterapia não é um "luxo" e nem sempre é uma necessidade, mas com certeza é sempre um investimento na sua pessoa, no seu desenvolvimento pessoal. Quando nos conhecemos melhor temos mais facilidade de nos relacionar conosco e com o outro. Amplia-se nossa competência e oportunidades de trabalho e ascenção profissional. Autoconhecimento é uma das competências essenciais no atual contexto das organizações de trabalho. O retorno sempre será positivo e altamente gratificante.
Meu afetuoso abraço,
Dulcinéa

domingo, 9 de setembro de 2007

ANDANDO DE BICICLETA ..... A mulher aos 50 anos

Outro dia Irene, a Neca,"amiga de infância", me lembrou: “Foi você quem me ensinou a andar de bicicleta”... Eu mesma, nem me lembrava disso, mas, nesta data, quando ela completa cinqüenta anos, marco na vida de toda mulher, fico refletindo sobre o simbolismo desta frase.

Bicicleta: quem será que inventou esse transporte? Dizem que foram homens, mas na minha opinião deve ter sido uma mulher. Veja bem: transporte rápido, porque temos sempre muitas coisas a fazer, econômico, porque sempre temos que esticar o orçamento, e de equilíbrio, porque estamos sempre na corda bamba, entre filhos, marido, trabalho (ufa!!), sem se esquecer do eixo desse equilíbrio, que somos nós mesmas.

O segredo de andar de bicicleta, você lembra,Neca? É olhar sempre para frente. Se ficarmos prestando atenção nos nossos pés, vamos perder o equilíbrio e não vamos ver o que tem pela frente. Assim também é a vida da mulher, deve olhar sempre para a frente, para seus objetivos, sem esquecer de centrar-se de cuidar de si mesma. O pedalar é apenas o meio, não objetivo final. Ao pedalar, reproduzimos com nossos pés o movimento circular, que gira uma roda maior, a roda de traz, que movimenta a bicicleta. A roda da frente não tem opção, tem que girar também, acompanhando o movimento, o ritmo e a velocidade de sua companheira de traz. Quem controla o pedal, potencializa a sua força, potencializa o seu ritmo, controla todo o mecanismo. E na família, na sociedade, quem faz esse papel? Mais um ponto para a mulher!

A roda é um círculo, símbolo do infinito, símbolo de Deus. Através da roda da roca, milenarmente mulheres teceram o fio, não somente o fio das vestes, mas o fio do destino da humanidade.

Tal qual o caminho que nos foi ensinado a trilhar, andar de bicicleta, a gente nunca esquece. Mesmo que fiquemos muito tempo sem praticar, o saber está lá. Às vezes escondido, mas sempre está conosco.

Aprender a andar de bicicleta tem seus riscos. É preciso arriscar, soltar-se, para experimentar a liberdade de alcançar a velocidade e sentir o vento batendo no rosto. Quem nunca andou de bicicleta não sabe o sabor que tem, para uma criança de dez anos alcançar esse status: saber andar de bicicleta.

Hoje não temos mais só dez anos: temos muito mais, temos cinco vezes a idade de dez anos! Isso significa que podemos ter cinco vezes mais alegrias, cinco vezes mais desafios, cinco vezes mais amigos que tínhamos aos dez anos.

Nesta passagem, Neca, só tenho uma coisa a desejar-lhe, a você e todas as mulheres de 50 anos: Continue andando de bicicleta!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Caminhos TanGENTES

Do latim, tal como no português, a palavra “tangente” significa: que se tocam. O termo refere-se a linhas que em dado momento se tocam, mas continuam suas curvas afastando-se.

Relacionamentos afetivos também podem ser tangenciais. Há relacionamentos de um dia, outros de semanas, meses e até anos. Há também aqueles que (felizes ou infelizes) passam o restante de suas vidas juntos, até que a morte os separe.

Porque os relacionamentos precisariam durar a vida toda? E porque aquela sensação de que, em caso de separação, o relacionamento “não deu certo”?

Todos nós temos uma caminhada para chegar ao destino de nossas almas, nosso propósito de vida. É o processo de individuação, o tornar-se cada vez mais o que se é realmente. Assim como a semente do feijão plantada em uma caixa escura, com uma fresta na experiência que fazemos quando crianças, nossa vida, apesar das idas e vindas, sempre procura a fresta de luz necessária para crescer e tornar-se aquilo a que veio. Assim também, tudo o que passamos na vida, pode ter um sentido e um propósito para realizarmos nossa missão. A diferença entre pessoas e pessoas é que alguns reconhecem, elaboraram suas perdas, suas interrupções de caminho e tem a coragem de recomeçar (1).


Na vida temos pessoas que passam pela nossa existência por um determinado período de tempo. Ao encontro com esta outra vida, a nossa transforma-se. Despedimo-nos e seguimos adiante, cada um levando em si um pouco o que era do outro. Assim, como em cadeias que se entrelaçam, trocamos vida com tantas outras vidas, enriquecemos nossa existência, com tantas outras experiências, que se incorporam à nossa vida, como se delas tivéssemos participado. Nossa vida se enriquece. Fica sempre um pouco de perfume.

No meu trabalho como psicoterapeuta tenho o privilégio de acompanhar pessoas na fase mais dolorosa de suas vidas: o momento em que procuram a ajuda profissional para compartilhar sua dor, seu sofrimento, entender o que se passa consigo, com sua vida. Digo que é um privilégio, pois após a dor da separação, do questionamento do descaminho, vem a alegria de reencontrar-se com a sua própria alma: O crescimento advindo da elaboração do luto da perda e o reconhecimento de que o sofrimento não foi em vão. O separar-se de alguém, ou de um local de moradia, ou de um trabalho foi necessário para encontrar ou reencontrar-se consigo mesmo e retornar o caminho de sua individuação.

Foi a partir dessas reflexões, de minha vida e da vida de pessoas que acompanho em seus momentos de crise, separação e luto, que pensei em escrever sobre o assunto. Caminhos entrecortados, cruzados, interrompidos. Separações dolorosas, sofrimentos físicos e psíquicos, mas que, a partir da elaboração do luto e da dor, tornaram-se fonte de crescimento e amadurecimento possibilitando repensar propostas de vida, transformando padrões estereotipados de relacionamento em novas formas de ver e encarar a vida.

Muitos mudam até de cidade e de país, trocam de profissão, encontram parceiros com quem estabelecem um padrão saudável de relacionamento. Outros optam por ficar só, e, mesmo que o estar só não seja opção, vivem independentes, sem, contudo se sentirem solitários. E há aqueles que após a crise, conseguem transformar o relacionamento, possibilitando a sua continuidade, mas de forma saudável e gratificante. O importante é ter a coragem de olhar para si mesmo. Avaliar se está feliz. A alegria e a paz são sinais de que estamos trilhando o caminho de nossa alma. Esse é o primeiro passo para se ter a coragem de mudar, tomar outros rumos em busca da realização.

Como escreveu Fernando Sabino em sua obra O Encontro marcado:
"De tudo, ficam três coisas:
- A certeza de que estamos sempre começando,
- A certeza de que é preciso continuar
- E a certeza de que podemos ser interrompidos, antes de terminarmos.
Fazer da interrupção um caminho novo,
da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte,
da procura um Encontro...."

(1) O CÓDIGO DO SER - Uma busca do Caráter e da Vocação Pessoal - James Hillman Editora Objetiva

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

"O Casamento está morto. Viva o casamento! - Resenha

Ao ler o artigo de ontem, sobre "a outra metade da laranja", minha amiga Cláudia Ziller Faria comenta: "Parece incrível, mas já estou na meia idade. E com a outra metade de minha laranja."
O artigo de hoje, é para você, querida amiga, que está comemorando mais um aniversário de casamento. Uma homenagem a todos os que conseguem atualmente manterem-se casados por tantos anos.

Apresento uma resenha do livro "O CASAMENTO ESTÁ MORTO. VIVA O CASAMENTO" de Adolf Guggenbühl-Craig. A edição está esgotada, mas é possível encontrar nos sebos virtuais. Vale a pena! O autor é conceituado analista junguiano na abordagem da psicologia arquetípica.

O autor introduz o assunto trazendo exemplos de dois casamentos que povoam o inconsciente da humanidade: Zeus e Hera da Mitologia Grega e a Sagrada Família, José e Maria. O primeiro casal, como exemplo de casamento conflituoso com seus "altos e baixos" e o segundo como símbolo da perfeita e harmônica união.

Para Guggenbühl, o casamento é um dos caminhos da "salvação". Para entender seu posicionamento é preciso antes entender os conceitos de "Salvação", "Bem-Estar" e o conceito junguiano de INDIVIDUAÇÃO.

"Bem estar está relacionado com o evitar tensões desagradáveis, com a tentativa de usufruir a sensação física de conforto, relaxamento e prazer (...) A felicidade está relacionada ao bem-estar: a pessoa que tem a sensação de Bem-estar é feliz e satisfeita"

"No contexto da linguagem religiosa a salvação significa procurar e encontrar contato com Deus. (...) Para os cristãos o grande mitologema para o caminho da salvação é a vida de Jesus Cristo. Seus trabalhos, seu sofrimento e morte pertencem inalteravelmente ao caminho que ele encontrou de volta ao Pai. (...) Dificilmente podemos dizer com precisão ou mesmo imaginar o que é salvação. (...) O estado de salvação, como tal, pode ser somente intuído, numa vida humana, durante os breves momentos de climax religioso ou filosófico."

Individuação -
"falamos de "Individuação em psicologia junguiana, que necessariamente não se refere a saúde mental, bem estar e sensação de felicidade. "Individuação" envolve a luta de uma pessoa para achar seu próprio caminho de salvação."
" O caminho da individuação tem muito a ver com salvação e pouco a ver com bem-estar.(...) o impulso para a individuação nos impele a contatar com uma centelha íntima de divindade que Jung descreve como o "self" (si mesmo)"
"Não pode ser evitado no processo de individuação a confrontação com o sofrimento e a morte, com o lado escuro de Deus e de sua criação, com o que nos faz sofrer (...). Não pode existir individuação sem confronto com o lado destrutivo de Deus, do mundo e de nossa própria alma."
"Individuação não é individualismo. (...) A participação na sociedade sempre pertence à individuação, seja na forma extrovertida, como no caso do cavaleiro medieval, na introvertida, como o caso do monge que reza ou numa forma mista. A pessoa em individuação ocupa-se com seu próximo seja pela participação ativa ou pelas lutas interiores com os problemas coletivos".

A partir daí o autor defende a idéia do casamento como sendo um caminho de salvação:
"O encontro dialético entre dois parceiros, que dura toda a vida, o vínculo de um homem e uma mulher, até a morte, pode ser entendido como um meio especial de descobrir a alma, uma forma especial de salvação."
"Um casamento só funciona se alguém se abre exatamente para aquilo que nunca pediria que fosse de outra maneira. Somente friccionando as próprias feridas e se perdendo se é capaz de aprender sobre si mesmo, Deus e o mundo. Como todo meio de salvação, o do casamento é duro e doloroso."
"Para aqueles que são dotados para o meio de salvação através do casamento, esse, como qualquer outro, naturalmente oferece não só dificuldade, trabalho e sofrimento mas também a mais profunda espécie de satisfação existencial. Dante não chegou ao Céu senão atravessando o Inferno. E assim, também (lá) raramente existem "casamentos felizes". "

O autor prossegue aprofundando os temas relativos ao casamento como forma de individuação, abordando o confronto entre Masculino e Feminino, sexualidade, sacrifício e divórcio, que também pode ser um caminho para a individuação, e conclui, no seu último capítulo, com a frase paradoxal, apresentada como título do livro "O CASAMENTO ESTÁ MORTO, VIVA O CASAMENTO!".

Na minha opinião, e entendo também que seja a de Guggenbühl, nem todo o casamento constitui um caminho para a individuação, muitas vezes o parceiro escolhido não é o que vai promover esse processo. Existem muitos outros caminhos, inclusive o das pessoas solteiras, divorciadas e viúvas. Pessoas que vivem só, voluntária ou involuntariamente.

Na escuta íntima nos processos terapêuticos é comum a dúvida: "Meu casamento não está como eu gostaria, mas quando vejo outras pessoas que se divorciaram, vejo que também para elas nem sempre é fácil". Na realidade, como afirma o autor, o caminho da individuação não é fácil.

O que pode nos ajudar, na minha opinião, é desvincular o conceito de felicidade do conceito de bem-estar, mas perceber a felicidade como uma profunda satisfação existencial. Para mim a felicidade está mais próxima da paz do que da alegria. Primeiro buscamos a paz e a alegria, o bem-estar são conseqüencias. A paz, a satisfação existencial, é encontrada através da realização da vocação. É preciso se perguntar: a que vim? porque estou aqui? Quanto mais caminho "no meu caminho", entendendo o significado e sentido da minha vida, mais próximo estou da Individuação.

Referência: O CASAMENTO ESTÁ MORTO, VIVA O CASAMENTO - Adolf Guggenbühl-Craig Psicologia Arquetípica - Edições Símbolo, 1980

terça-feira, 4 de setembro de 2007

A "OUTRA METADE DA LARANJA" EXISTE?

"Se existe", dizia a mulher calejada de relacionamentos frustrados, "alguém já chupou a minha metade da laranja e jogou o bagaço fora, pois eu até hoje não a encontrei." Ou então, diz outra, "eu já encontrei, mas só que ele não me considera a sua outra metade". Outra diz ainda: "eu pensei que tinha encontrado a outra metade da laranja, mas depois que casei percebi que era na verdade um grande limão azedo!"

Desde que a humanidade existe, ou melhor, desde que nos tornamos conscientes e permitidos a fazer a escolha do parceiro afetivo/sexual, essa tem sido a questão mais desejada de ser resolvida e no entanto a mais conflituosa. Quem já não se apaixonou? E quem já não se decepcionou no amor?

Somos bombardeados continuamente com modelos utópicos de relacionamentos românticos felizes. Desde criança ouvimos os contos de fadas, onde os protagonistas "viveram felizes para sempre". Se essa não é a realidade, porque existe esse desejo, essa fantasia?

Trago hoje algumas pinceladas de Jung sobre esse assunto. Os colegas junguianos me perdoem pela apresentação simplificada de tema tão complexo e profundo, mas vou tentar, de forma didática, apresentar algumas idéias que podem jogar alguma luz sobre o assunto.

Jung, a partir de sua própria experiência de interiorização e exploração de seus processos inconscientes, de seus estudos comparativos das várias culturas, mitologias e religiões, e de sua prática como analista, trouxe-nos a noção do Insconsciente Coletivo. É uma parte de nosso psiquismo que herdamos culturalmente.

Nessas pesquisas Jung encontrou figuras que chamou de "imagens primordiais ou arquétipos". A ponte do inconsciente pessoal para os niveis mais profundos do Inconsciente Coletivo se faz através dos arquétipos Anima e Animus. Do latim, Anima = Alma e Animus= Espírito. A Anima é o lado feminino, inconsciente no homem e o Animus o lado masculino, inconsciente na mulher. Os termos Alma e Espírito nesse caso não se referem ao seu significado espiritual, mas a aspectos da psique. Ambos, homem e mulher para entrarem em contato com o seu inconsciente mais profundo, precisam entrar em contato com Anima/us. O processo de integração interna se faz a partir da projeção externa. Projetamos no outro, no objeto de "amor" a anima (os homens) e o animus (as mulheres). Por isso nos apaixonamos e nos decepcionamos, porque não temos a percepção real do outro.

Acontece que, mesmo sabendo disso, todos nós passamos por esse processo (até Jung passou). Primeiro ver fora, para depois integrar internamente. É a partir dos relacionamentos afetivos/sexuais, ou na família, amigos ou trabalho, com a oportunidade de convivermos com o masculino ou feminino fora de nós que podemos aos poucos ir fazendo essa integração.

Depois da meia-idade, se essa integração ocorre de forma satisfatória, a pessoa se torna mais integrada, mais "completa" com menos necessidade de buscar no outro "algo que lhe falta". Não tem mais a necessidade de buscar fora o que está dentro. É nessa etapa de vida que muitos conseguem viver sozinhos sem sentirem-se solitários ou "incompletos". Alcançam certa serenidade! Podem viver e conviver com o outro de uma forma madura, sem o sentimento de que "precisam" do outro, mas que estão juntos porque é bom compartilhar a vida!

Para saber mais sobre o assunto:
JUNG, C.G. - Memórias, Sonhos e Reflexões - Editora Nova Fronteira/
JUNG, Emma - Animus e Anima Editora Cultrix/
STEIN, Murray - JUNG o Mapa da Alma, Uma Introdução - Editora Cultrix

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"NINGUÉM ME AMA..." O sentimento de ser rejeitado

A história que vou contar hoje é a da Maria. Poderia ser a Joana, a Francisca, a Marta ou a Cristina. Ou poderia ser o João, o Pedro, o Oswaldo. Acontece com qualquer um e é muito comum. É o "feijão com arroz" do consultório.

A queixa é sempre essa: meu namorado não me dá atenção, meus amigos preferem os outros, meu chefe não valoriza o meu trabalho, etc... Porque algumas pessoas tem sempre essa sensação ou até mesmo a certeza de que são sempre preteridos?

A história é muito antiga na vida de cada um. Começou lá, quando era um bebezinho. Não necessariamente por ter sido pouco amado, às vezes até foi amado em excesso, mas por algumas circunstâncias, a criança não consegue vivenciar de forma saudável essa fase, e cresce com a sensação de insatisfação. Por mais que tenha afeto, nunca consegue se sentir amado, projeta no outro o seu sentimento e acaba achando que o outro não o ama. A partir dessa percepção, sua conduta passa a ser de uma pessoa "não amada": Também rejeita, trata o outro com excesso de ciúmes, agressividade e outros comportamentos que provocam no outro um desconforto e o desejo de afastar-se. Dessa forma, o "outro" que a princípio até gostava da Maria, passa a evitá-la e até é possível passar a rejeitá-la de fato. Forma-se assim um ciclo vicioso: "Eu não me percebo amada, eu rejeito/agrido, eu sou rejeitada e confirma-se a minha percepção". E a pessoa passa a ter cada vez mais dificuldade de integrar-se nos grupos, na família e manter um relacionamento afetivo saudável.

A psicoterapia de grupo é bastante eficaz nessa situações, pois possibilita que os participantes troquem suas percepções, verbalizem seus sentimentos e aprendam a comunicar-se de forma efetiva. Mas, para quem não tem acesso à psicoterapia, aqui vão algumas dicas para trabalhar-se nesse sentido.

Em primeiro lugar, já que você confunde o que "sente" com o que "percebe", confie na sua função "pensamento". Pergunte-se: essa pessoa tem motivo real para me preterir ou rejeitar?

Em segundo lugar: vai lá e confere. Abra um canal de comunicação pergunte simplesmente. Não é preciso fazer disso um ritual ou uma sessão de "discutir a relação". Basta simplesmente perguntar, como por exemplo: "Pedro, está acontecendo alguma coisa? Porque você não está falando comigo?". Pode acontecer de você se surpreender com respostas do tipo: "Puxa Maria, foi mal... sabe estou passando por uma fase difícil e nem percebi que não estava te dando atenção".

Tem algum risco? Com certeza, sim.... vai que realmente o outro também tem lá suas dificuldades e as projeta em você.... Fazer o que? Nem Jesus Cristo agradou a todos....

domingo, 2 de setembro de 2007

NOVOS TEMPOS


A idéia deste blog começou a partir da minha experiência com grupos de terapia.

O processo de psicoterapia em grupo é potencializado pelo compartilhamento entre seus membros das suas angústias, medos e dificuldades de relacionamento e no espelho que o grupo proporciona para a iluminação do caminho de cada pessoa. Ao compartilhar o seu processo, cada membro do grupo proporciona aos outros a oportunidade também de se ver, de encontrar as suas próprias soluções. A grande "mágica" dos grupos de terapia é que você pode "entrar mudo e sair calado", como tenho dito àquelas pessoas temerosas de participar de um grupo de terapia, mas com certeza sairá diferente.

Com o advento da tecnologia, dos novos tempos da web, podemos compartilhar idéias e experiências com internautas pelo mundo inteiro.

O objetivo da criação deste blog é que, através do compartilhar de minhas reflexões, você, leitor possa também estar refletindo sobre sua própria existência, suas dificuldades, seus medos e angústias, elaborando e construindo novos caminhos.

Nosso encontro acontece no espaço virtual e atemporal, na medida em que para cada leitor o mesmo texto torna-se uma experiência única, pois só haverá significado real a partir das reflexões de suas próprias experiências.

É a minha contribuição, uma gota de água na construção de um mundo melhor.